Tarcísio busca transferir favoritismo a candidatos da direita ao Senado
Tarcísio tenta transferir favoritismo a candidatos da direita ao Senado

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciou uma articulação política para transferir seu favoritismo eleitoral a candidatos da direita que disputarão uma vaga ao Senado em 2026. A estratégia busca consolidar a influência do campo conservador no estado e nacionalmente.

Movimentação política nos bastidores

De acordo com fontes do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio tem mantido conversas com lideranças partidárias e possíveis candidatos para alinhar apoios. O governador, que possui alta aprovação em São Paulo, pretende usar sua popularidade para eleger ao menos dois senadores alinhados à sua gestão. Atualmente, o estado tem três vagas no Senado, e duas delas serão renovadas em 2026.

“O governador entende que é fundamental ter uma bancada coesa no Senado para viabilizar pautas importantes para o estado e para o país”, afirmou um assessor próximo, que preferiu não se identificar. A articulação ocorre em meio aos preparativos para a sucessão estadual, já que Tarcísio é cotado para a reeleição ou até mesmo para uma candidatura presidencial.

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Nomes cotados e alianças

Entre os nomes que podem ser beneficiados estão o ex-ministro da Infraestrutura e atual secretário de Parcerias em Investimentos, Marcos Pontes (PL), e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Ambos são figuras de destaque da direita e têm proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a definição dos candidatos ainda depende de negociações partidárias e do calendário eleitoral.

Pesquisas internas do governo paulista indicam que Tarcísio tem potencial de transferência de votos superior a 60% entre eleitores que o aprovam. Esse índice é considerado alto e pode ser decisivo em uma eleição proporcional como a do Senado.

Impacto no cenário nacional

A movimentação de Tarcísio também é vista como uma forma de fortalecer a direita no Congresso, onde o governo Lula enfrenta dificuldades para aprovar pautas econômicas. Atualmente, o Senado tem maioria governista, mas uma bancada conservadora mais forte poderia alterar o equilíbrio de forças.

“A eleição para o Senado em 2026 será um termômetro para 2028. Se a direita conseguir ampliar sua representação, isso pode impactar diretamente a governabilidade do próximo presidente”, analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper. Ele ressalta, porém, que a transferência de votos não é automática e depende de fatores como a exposição dos candidatos e a conjuntura econômica.

Desafios e críticas

Nem todos os partidos de direita veem com bons olhos a centralização em torno de Tarcísio. Algumas legendas, como o Novo e o PP, preferem lançar candidaturas próprias para ampliar sua representação. Além disso, a oposição já critica a movimentação, acusando o governador de usar a máquina pública para beneficiar aliados.

“Isso é um abuso de poder político. O governador está usando o cargo para construir uma base de apoio no Senado, o que é preocupante para a democracia”, declarou o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), líder da minoria na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Apesar das críticas, Tarcísio segue adiante com o plano. Nos próximos meses, ele deve intensificar as agendas com potenciais candidatos e realizar eventos de pré-campanha. O governador já sinalizou que pretende percorrer todas as regiões do estado para apresentar os nomes da direita.

O que está em jogo

Com um colégio eleitoral de mais de 30 milhões de eleitores, São Paulo é o maior estado do país e tem peso decisivo nas eleições nacionais. Eleger senadores alinhados ao projeto conservador é visto como essencial para pautas como reforma tributária, segurança pública e privatizações.

“O Senado é a casa da revisão. Se a direita não tiver força lá, qualquer avanço em pautas liberais ou conservadoras será bloqueado”, argumenta o deputado federal Ricardo Salles (PL). Ele próprio é um dos cotados para a disputa, mas ainda não confirmou se será candidato.

As convenções partidárias estão previstas para julho de 2026, e o prazo de filiação se encerra em abril do mesmo ano. Até lá, Tarcísio terá que costurar acordos e superar resistências internas para consolidar sua estratégia de transferência de favoritismo.

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