A expansão do pedágio sem cancelas no país, conhecido popularmente como “free flow”, virou alvo de uma guerra de discursos entre governadores, parlamentares e o governo federal e já vem sendo amplamente debatido na pré-campanha, principalmente aos governos estaduais.
Disputa política em São Paulo
Em São Paulo, deputados da oposição e inclusive os da base têm criticado a instalação do pedágio eletrônico nas rodovias paulistas. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), defensor do sistema, adiou para janeiro de 2027 a adoção do free flow em oito rodovias que deveriam iniciar a cobrança ainda em 2024. A pressão política tem surtido efeito, e até parlamentares de sua base criticam a inserção desses pedágios, especialmente no interior do estado.
CPI no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o tema virou até Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa (ALRS) e tem desgastado o governador Eduardo Leite (PSD). Na semana passada, foi aprovado o relatório final da comissão, que apontou falhas nos três blocos de rodovias que adotaram o sistema e problemas nos editais de concessão. O deputado estadual Paparico Bacchi (PL), presidente da CPI, afirma que o sistema foi aplicado sem informação devida e que os preços são abusivos. A pressão foi tanta que em março o governo adiou o leilão de rodovias no Vale do Taquari e no Norte do estado, reduzindo em 5% o valor da tarifa.
Suspensão de multas pelo governo federal
De olho na rejeição ao novo sistema, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) suspendeu, em abril, as multas por não pagamento do pedágio em todo o país. A medida passou a ser amplamente explorada nas páginas oficiais do governo federal, com 12 das 30 publicações patrocinadas em maio exaltando a suspensão. Aliados de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, projetam usar o tema contra Tarcísio. Por outro lado, o governo Lula também implementa o free flow em rodovias federais, o que pode ser usado como contra-argumento por aliados de Tarcísio.
Ministro dos Transportes critica modelo estadual
O ministro dos Transportes, George Santoro, disse que o free flow veio “do governo anterior” e que a atual gestão está “aperfeiçoando” a medida. Ele criticou o modelo de São Paulo, onde a multa vai para a concessionária, sem incentivo para sinalização adequada. O discurso deve ser adotado por Haddad, que tem dito que Tarcísio implementou o modelo de maneira “desorganizada”, encarecendo a distribuição de alimentos no estado.
Free flow em rodovias federais e estaduais
Atualmente, há sete rodovias federais com o sistema free flow autorizado ou implantado. Entre as estaduais, quatro estão em São Paulo, três no Rio Grande do Sul e uma em Minas Gerais. A ANTT cancelou 800 mil multas por evasão de pedágio na Rodovia Rio-Santos, no trecho fluminense da BR-101 Sul, representando mais da metade das autuações desde março de 2023.
Debate no Paraná e Rio de Janeiro
No Paraná, o PT lidera a oposição à cobrança eletrônica, usando o tema para desgastar o governador Ratinho Júnior (PSD) e seu pré-candidato Sandro Alex (PSD). O líder da oposição na Alep, Arilson Chiorato, afirma que o free flow no estado não é proporcional, com cobrança cheia. No Rio de Janeiro, as discussões se intensificam com a possível expansão do sistema na BR-101 para Itaboraí, Tanguá e Rio Bonito. Políticos locais, como a deputada Dani Cunha (PL-RJ), têm usado o tema como plataforma de pré-campanha.



