EUA: 250 anos de expansão, divisões e promessas de Trump
250 anos dos EUA: expansão, divisões e promessas de Trump

Em 250 anos desde a declaração de independência, os Estados Unidos transformaram-se de um punhado de assentamentos na costa atlântica em uma potência continental. A área geográfica saltou de 430 mil milhas quadradas (1,1 milhão de km²) para cerca de 3,7 milhões de milhas quadradas – um aumento de oito vezes. A população, que em 1790 era de aproximadamente 4 milhões (incluindo escravos), atingiu 343 milhões em 2025, um crescimento de 8.475%.

Raízes das divisões atuais

As promessas do presidente Donald Trump – restringir a imigração e expandir o poder e o território dos EUA – ecoam divisões que remontam aos primeiros anos da nação. Segundo a historiadora Heather Cox Richardson, do Boston College, "qualquer pessoa que observasse as colônias tentando criar esta nação diria: tudo o que precisamos fazer é esperar até que elas se desintegrem". O futuro era incerto, mas as forças que moldariam o país já estavam postas.

Colin Woodard, diretor do Laboratório de Nacionalidade da Universidade Salve Regina, divide os EUA em identidades regionais. A região norte, "Yankeeland", originou-se de puritanos e posteriormente de alemães e escandinavos, com visão pluralista. A faixa central dos Apalaches foi povoada por escoceses e irlandeses independentes, desconfiados do governo. Para eles, "liberdade significa maximizar a autonomia individual", explica Woodard. Já o Sul profundo era uma sociedade oligárquica baseada em plantações escravistas.

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Expansão territorial e destino manifesto

No primeiro século, os EUA expandiram-se para oeste, muitas vezes às custas dos povos indígenas. A crença no "destino manifesto" impulsionou a conquista até o Pacífico. O interior oeste, de paisagem inóspita, atraiu individualistas, enquanto a costa Pacífico recebeu comerciantes do nordeste. Essas divisões refletem-se hoje no mapa eleitoral: o nordeste e a costa oeste são bastiões liberais, enquanto o sul e o interior oeste são redutos conservadores.

Ondas de imigração e reações

A imigração sempre foi central. "A única coisa que nos une é o conceito de que podemos construir o futuro que desejamos", afirma Richardson. A primeira grande onda (1840-1889) trouxe 14 milhões de europeus do norte e oeste. A segunda (1890-1920) somou 18 milhões do sul e leste da Europa. Cada onda gerou reações, com leis restritivas como a Lei de Exclusão Chinesa e a Lei de Imigração de 1924, que reduziu drasticamente o fluxo.

Desde a década de 1960, com o fim das restrições, mais de 70 milhões de imigrantes entraram nos EUA, muitos da Ásia e América Latina – 18 milhões só do México. Em 2024, imigrantes eram 14,8% da população, igualando o recorde de 1890, segundo o Migration Policy Institute. A imigração respondeu por 84% do crescimento populacional.

Mudanças geopolíticas e a resposta de Trump

As primeiras ondas migratórias fortaleceram o poder político do norte, alimentando tensões com o sul, que buscava expandir estados escravistas. Hoje, muitos imigrantes e migrantes internos se dirigem ao sul, impulsionados por economias vibrantes como Texas e Flórida. A imigração ilegal na fronteira sul aumentou as tensões, e Trump capitalizou com promessas de deportações em massa.

Trump também expressou nostalgia pela expansão territorial, falando em adquirir a Groenlândia, repatriar o Canal do Panamá e anexar Canadá e Venezuela como "51º estado". Sua visão inverte a trajetória histórica: após um século de expansão física e outro de abertura a imigrantes, Trump busca expandir fronteiras e fechar portas. "Não teremos mais um país", repete sobre a imigração. Woodard questiona: "Temos a metaluta na história americana: somos uma nação cívica ou uma etnia?".

Em 250 anos, os EUA mudaram radicalmente, mas as divisões e as dúvidas sobre o futuro permanecem constantes.

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