O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém a dianteira sobre o ex-ministro Fernando Haddad (PT) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29), Tarcísio registra 41% das intenções de voto, contra 26% do petista no primeiro turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 27 de julho, com 1.650 eleitores paulistas com mais de 16 anos, e tem nível de confiança de 95%.
Cenário eleitoral e comparação com abril
Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O estudo aponta que 13% dos entrevistados estão indecisos, enquanto 15% declararam voto em branco ou nulo. Em abril, a Quaest mostrava Tarcísio com 38% e Haddad com os mesmos 26%. Diferentemente do levantamento anterior, não foram incluídos outros candidatos. Na ocasião anterior, Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) apareciam com 5% cada, mas ambos desistiram da disputa ao Executivo paulista.
Segundo turno e definição de voto
Em um eventual segundo turno, Tarcísio surge com 48% dos votos, ante 32% de Haddad. Há dois meses, o atual governador registrava 49% contra os mesmos 32% do petista. A pesquisa também investigou se a escolha é definitiva: 53% dos eleitores afirmam que sim (ante 48% em abril), enquanto 45% podem mudar de opinião (eram 51% há dois meses). A rejeição de Tarcísio é de 37%, enquanto 58% não votariam em Haddad — índices praticamente estáveis desde abril (38% e 58%, respectivamente).
Aprovação da gestão Tarcísio
A aprovação do governo estadual variou dentro da margem de erro. Em abril, 54% aprovavam a administração de Tarcísio; agora, são 55%. A desaprovação manteve-se em 29%. Não souberam responder 16% em julho, contra 17% em abril. Os números do levantamento foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-09998/2026 e SP-04846/2026.
Convenção partidária e discurso de Haddad
No sábado (25), em Campinas, a chapa de Fernando Haddad foi anunciada em evento com a presença do presidente Lula. O vice é o ex-ministro Márcio França (PSB), enquanto Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) concorrem ao Senado. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também esteve presente e será mantido na composição com Lula para a Presidência. Em seu discurso, Haddad comparou as disputas anteriores do PT contra o PSDB — que classificou como “disputas bonitas” — ao confronto com o bolsonarismo a partir de 2018. “No tempo do PSDB, a gente disputava para ver quem fazia mais para a população. O que é possível disputar com ele (Tarcísio), se tudo está indo para trás? Dar uma medalha para o Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para o argentino comer? A qualidade da urna eletrônica? Esses caras querem voltar para a Idade da Pedra, querendo discutir se mulher tem direito a votar ou não”, afirmou Haddad, referindo-se à medalha que Tarcísio entregou ao presidente argentino Javier Milei no sábado, no Palácio dos Bandeirantes, antes da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Estratégia de Tarcísio e alianças
Tarcísio busca a reeleição apostando na aprovação de sua gestão. Para isso, pretende destacar entregas como o Rodoanel e o monotrilho da Linha 17-Ouro, além de ações na Cracolândia e a privatização da Sabesp. Um de seus principais cabos eleitorais é o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que colocará a máquina municipal à disposição, como fez em 2022 com Rodrigo Garcia (então no PSDB, hoje no Republicanos). Na ocasião, Garcia ficou em terceiro lugar. O governador conta com o apoio de 12 partidos, contra sete de Haddad. Tarcísio equilibra-se entre a centro-direita e o bolsonarismo. Conforme mostrou O GLOBO na terça-feira (28), devido à alta rejeição de Flávio Bolsonaro, o governador planeja agendas conjuntas com o presidenciável apenas em regiões de “convertidos”, deixando de fora a capital e a Região Metropolitana, onde Haddad venceu Tarcísio em 2022 por cerca de 600 mil votos.



