O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resiste a pressões internas e mantém sua aposta na pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais em 2026. A decisão ocorre em meio a divergências dentro do partido e de aliados, que questionam a viabilidade eleitoral do nome.
Pressões internas e resistência
Nos últimos dias, Lula foi alvo de apelos de lideranças petistas e de partidos aliados para reconsiderar o apoio a Patrus. A principal crítica é que o ex-prefeito de Belo Horizonte não teria musculatura política para enfrentar a atual gestão do governador Romeu Zema (Novo), que busca a reeleição. No entanto, Lula tem demonstrado convicção na escolha, apostando na trajetória do petista e na força do partido no estado.
“O presidente acredita que Patrus é o nome certo para unificar o campo progressista em Minas. Ele tem história e compromisso com as causas sociais”, afirmou um assessor palaciano que acompanha as conversas.
Pesquisas e cenário eleitoral
Pesquisas internas do PT mostram que Patrus ainda não decolou nas intenções de voto, mas a estratégia é fortalecê-lo com a presença de Lula em campanhas e com a estrutura do partido. Em um levantamento recente, Zema lidera com cerca de 40% das intenções, enquanto Patrus aparece com 15%. Apesar da diferença, a equipe de Lula acredita que a disputa será acirrada com o apoio do presidente.
“Minas é um estado estratégico para o projeto nacional do PT. Não podemos abrir mão de ter um candidato forte e alinhado com o governo federal”, disse o presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, em entrevista.
Reações dos aliados
A resistência de Lula gerou desconforto entre aliados, como o PSB e o PCdoB, que preferiam um nome mais competitivo. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSB), chegou a ser cogitado, mas Lula vetou a ideia por considerar que Kalil não representa os valores do campo progressista. A decisão do presidente deve ser oficializada nos próximos dias, durante um evento do PT em Belo Horizonte.
“O presidente tem autonomia para escolher o candidato, mas é preciso ouvir a base. A eleição em Minas será difícil, e qualquer erro pode custar caro”, avaliou um dirigente do PSB mineiro.
Impacto nacional
A aposta de Lula em Patrus tem repercussão nacional. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, e uma derrota do PT no estado poderia enfraquecer a base de apoio do governo no Congresso. Por outro lado, uma vitória consolidaria a influência de Lula na região e serviria de trampolim para as eleições presidenciais de 2026.
“Minas é fundamental. Se o PT perder lá, o projeto de reeleição de Lula fica comprometido. Por isso, o presidente está disposto a bancar Patrus até o fim”, completou o assessor.



