O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ir a Minas Gerais na sexta-feira para inaugurações de hospitais em Belo Horizonte e Divinópolis, cidade do senador Cleitinho (Republicanos-MG), líder nas pesquisas ao governo do estado e que é cortejado para ser candidato de Flavio Bolsonaro (PL) no estado. No município de 240 mil habitantes, o presidente vai inaugurar o Hospital Regional e na capital, participará da oficialização da transição do Hospital Luxemburgo para atendimento 100% SUS.
Às vésperas do começo da campanha, Lula chegará ao segundo maior colégio eleitoral do país sem palanque definido. Após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), o PT avalia ter candidatura própria ou apoiar o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Também cogitados, os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do empresário Josué Gomes da Silva perderam força nas últimas semanas. Kalil tem apresentado resistências a uma aliança com PT, enquanto Josué também não demonstra entusiasmo.
Para um grupo petista, se o nome de aliados não arrancar com bom percentual de votos em pesquisas, não há por que o PT abrir mão de lançar um nome próprio em um estado estratégico como Minas. Parlamentares petistas irão se reunir com o presidente do PT, Edinho Silva, na quinta-feira, para discutir o quadro no estado, fazer avaliação política e passar o panorama para Lula, com todas as dificuldades locais. A legenda não bateu martelo quanto a um nome a ser proposto. Alas do partido defendem como candidata a ex-prefeita de Contagem (PT) Marília Campos. Nesta terça-feira, porém, Edinho Silva afirmou em Brasília que Marília Campos é pré-candidata ao Senado por Minas Gerais.
Como mostrou O GLOBO, auxiliares de Lula vinham segurando inaugurações com a presença do presidente em Minas Gerais enquanto persiste a indefinição do palanque do petista. O foco do PT é unificar o campo progressista no estado, mas há dificuldade de alinhamento, com complexidade de alianças que dependem de acordos nacionais. A avaliação predominante é que apenas Lula conseguirá destravar o palanque no estado.
Petistas mineiros reconhecem que, sozinhos, não conseguiram desfazer os nós políticos que envolvem a definição e que Lula precisa tomar a frente das negociações. Deputados petistas temem que essa demora possa prejudicar suas próprias candidaturas à Câmara. O estado é visto como fundamental para vitória de Lula em 2026, e a indefinição da candidatura preocupa o entorno do presidente. Historicamente, o candidato que vence no estado costuma ser eleito à Presidência da República.



