A convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República foi marcada por um protagonismo inusitado: o do presidente argentino Javier Milei. Com o senador sem apoio dos principais partidos do Centrão, a estratégia foi recorrer à “direita internacional” — além de Milei, o americano Donald Trump e o israelense Benjamin Netanyahu — e a um avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial para dar sentido à sua campanha.
Milei ataca Lula e Moraes com palavrões em evento
Por quase meia hora, Milei, ao lado de um embevecido Flávio, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com gritos e palavrões. O discurso gerou constrangimento, já que partiu de um chefe de Estado em solo brasileiro. Críticas a ambos são legítimas, mas a falta de civilidade, segundo analistas, prejudica a imagem do candidato do PL.
Falta de apoio e dependência externa
Ao atrelar seu destino a atores externos, Flávio revelou sua fragilidade política. Milei, cada vez mais impopular na Argentina devido a medidas econômicas duras e a um escândalo de corrupção, usou o evento para criar um incidente midiático. Trump, por sua vez, não disfarça interesse em interferir nas eleições brasileiras, com o objetivo de instalar um aliado no Palácio do Planalto.
Segundo apuração da imprensa americana, Trump queria enviar representantes ao Brasil para semear suspeitas sobre o sistema eleitoral. O governo brasileiro negou os vistos e capitalizou politicamente o caso, evidenciando a toxicidade da associação com o ex-presidente dos EUA.
Datafolha revela percepção negativa
Uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou que 52% dos eleitores acreditam que o tarifaço imposto por Trump às exportações brasileiras é uma manobra para favorecer a candidatura de Flávio. Isso indica que a maioria do eleitorado já enxerga o prejuízo econômico como benefício a um candidato que existe apenas para resgatar o “legado” do pai. O patriotismo proclamado por Flávio é, portanto, uma das farsas do bolsonarismo, conforme analistas.
Lula se beneficia da situação
Esse comportamento joga água no moinho da campanha de Lula, que se apresenta como protetor da soberania brasileira contra ataques externos — das tarifas de Trump festejadas por bolsonaristas ao comportamento de Milei. O mesmo Lula que outrora alinhou o Brasil ao bolivarianismo chavista e ao kirchnerismo agora posa de herói nacional contra o entreguismo de Flávio.
Para o artigo, o legado da família Bolsonaro é dar a um presidente medíocre, com ideias envelhecidas, a chance de permanecer mais quatro anos no poder. A convenção do PL deixou claro que falta a Flávio credibilidade moral, história política independente e compromisso com a democracia. Até lá, o PL terá apenas um avatar mal ajambrado de Jair Bolsonaro como candidato.



