PT aposta em Sabesp, tarifaço e soberania para levar SP ao 2º turno
Campanha de Haddad mira Sabesp, tarifaço e soberania

A coordenação da campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de São Paulo definiu uma estratégia baseada em três frentes para ampliar a competitividade do pré-candidato Fernando Haddad e levar a disputa contra o governador Tarcísio de Freitas a um segundo turno. O plano envolve atacar diretamente a privatização da Sabesp, explorar o impacto do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump e defender a soberania nacional diante das intervenções dos Estados Unidos no Brasil.

Os três eixos da campanha

Os três pilares foram estabelecidos como prioridade para a propaganda eleitoral e para o corpo a corpo com o eleitorado paulista:

  • Privatização da Sabesp, com foco nas falhas de abastecimento de água no interior e na Grande São Paulo;
  • Tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump, que atinge setores econômicos relevantes do estado, como sucroalcooleiro, papel e calçados;
  • Intervenções dos Estados Unidos que, na avaliação do PT, atacam a soberania nacional, com São Paulo como epicentro dos impactos.

Segundo o presidente estadual do PT e coordenador da campanha de Haddad, Kiko Celeguim, a expectativa é que o partido cresça ao longo do período eleitoral e surpreenda na reta final. "A gente está muito crente de que ao longo da campanha eleitoral, à medida que a gente vai posicionando os vazios da campanha do Tarcísio, a nossa expectativa é encostar e vencer na reta final", afirmou. Ele também apontou fragilidades na base de sustentação do atual governador. "A gente vê muito vácuo nos apoios que o partido tem, muitos prefeitos insatisfeitos e muitos deputados da base insatisfeitos".

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Sabesp como alvo central

Um dos pontos mais explorados pela campanha será a privatização da Sabesp. De acordo com a coordenação, o discurso deverá enfatizar a falta de água em municípios do interior paulista e em regiões da Grande São Paulo. A intenção é associar a gestão privada da companhia a deficiências no fornecimento e a prejuízos para a população. "A gente vai mostrar que tem apoio da população, que tem lastro no discurso em defesa da soberania nacional, e vamos acusar as mazelas da Sabesp", declarou Celeguim.

Tarifaço e defesa da soberania

No campo nacional, a campanha pretende explorar os efeitos do tarifaço de Trump sobre a economia paulista. O destaque será o prejuízo aos setores sucroalcooleiro, de papel e calçadista, todos com forte presença no estado. Para o PT, esses impactos ajudam a mostrar que o governo estadual não tem agido em defesa dos interesses de São Paulo. "Vamos posicionar a falta de entusiasmo na defesa do Estado de São Paulo, que nós somos contra o tarifaço", afirmou o presidente estadual do partido.

A defesa da soberania nacional também será um tema recorrente, sobretudo por São Paulo ser considerado o estado mais afetado pelas medidas e intervenções estrangeiras. A campanha de Haddad planeja usar as inserções na TV e no rádio, além do tempo do programa eleitoral, para difundir essas mensagens e associar a imagem de Tarcísio às políticas consideradas prejudiciais ao estado.

PT oficializa Lula à reeleição

Em paralelo à movimentação estadual, o PT oficializou a candidatura do presidente Lula à reeleição. A cerimônia aconteceu neste domingo, no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade de São Paulo. Por volta das 10h, o presidente do PT, Edinho Silva, confirmou que a chapa de Lula e do candidato a vice, Geraldo Alckmin, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aos 80 anos, Lula busca o quarto mandato presidencial. Ele foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente escolhido em 2022. Antes disso, disputou as eleições de 1989, 1994 e 1998, sendo derrotado por Fernando Collor e, em duas ocasiões, por Fernando Henrique Cardoso. Se vencer em 2026, o petista chegará a 16 anos como presidente da República, ficando atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, embora tenha sido eleito pelo voto direto apenas uma vez.

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