Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o governo cubano, atingindo o ministro da Saúde Pública, José Angel Portal Miranda, e a rede de brigadas médicas no exterior, considerada a principal fonte de divisas do regime de Havana. As medidas, divulgadas nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, também incluem três entidades do setor energético e outras quatro associadas ao conglomerado militar-empresarial Gaesa.
Brigadas médicas na mira
As brigadas médicas cubanas, que atuam em dezenas de países, são acusadas pelos EUA de serem parte de um esquema de "tráfico de seres humanos" para exploração laboral. O governo cubano nega veementemente as acusações, classificando-as como "calúnias" e parte de uma política de "pressão máxima" para desestabilizar o país. As sanções congelam bens nos EUA e proíbem transações com os alvos.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, as medidas visam interromper o fluxo de receitas que sustentam o regime cubano. As brigadas médicas geram bilhões de dólares anualmente para Cuba, enviados por países como Brasil, Venezuela e Angola em troca de serviços de saúde.
Setor energético e Gaesa
Além do ministro e das brigadas, as sanções atingem três empresas estatais do setor energético cubano: a Unión Eléctrica (UNE), a Empresa de Petróleos de Cuba (CUPET) e a Compañía Eléctrica de Cuba. O conglomerado militar Gaesa, que controla dezenas de empresas nos setores de turismo, construção e tecnologia, também foi alvo, com quatro de suas subsidiárias incluídas na lista negra.
As sanções são as mais recentes de uma série de medidas adotadas pela administração Biden para aumentar a pressão sobre Cuba, após a inclusão do país na lista de Estados patrocinadores do terrorismo em 2021. O governo cubano denunciou as sanções como "ilegais e criminosas", prometendo buscar alternativas para manter suas missões médicas no exterior.
Impacto econômico e humanitário
As brigadas médicas são um pilar da política externa cubana e uma fonte crucial de divisas, estimada em mais de US$ 6 bilhões anuais, segundo analistas. As sanções podem agravar a crise econômica em Cuba, que já enfrenta escassez de alimentos, medicamentos e combustível. Organizações de direitos humanos criticam as medidas, alertando para o impacto sobre a população civil.
O ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, afirmou em rede nacional que "as sanções não impedirão Cuba de continuar levando saúde aos povos do mundo". Ele acusou os EUA de "hipocrisia" e de tentar "asfixiar o povo cubano".



