A vice-prefeita de Ribeira (SP), Juliana Maria Teixeira da Costa, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por utilizar R$ 41,2 mil de verba pública para pagar um 'casamento espiritual'. O dinheiro, desviado dos cofres municipais, teria sido usado para contratar uma mãe de santo com o objetivo de afastar o amante, Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, de sua esposa.
Detalhes da denúncia
De acordo com a promotoria, o desvio ocorreu por meio de uma empresa contratada para prestar serviços à prefeitura, a W.F., de propriedade de Willian Felipe da Silva. Além de Juliana, o MP-SP denunciou Lauro e Willian. O g1 tenta localizar a defesa dos três.
A mãe de santo, identificada como mentora Samantha, é de Fortaleza (CE) e afirmou ter sido contratada pela vice-prefeita após encontrá-la nas redes sociais em agosto de 2024. Ela explicou que o trabalho era acompanhado por videochamada e gravação de vídeos. Ao g1, Samantha informou que Juliana contratou o serviço por R$ 380 mil, mas pagou apenas R$ 41,2 mil — valor apontado pelo MP-SP como desviado dos cofres públicos.
"Ela queria a dominação amorosa, afastamento de rival e adoecer a esposa do amante [Lauro] dela. Queria um trabalho que se chama casamento espiritual definitivo", disse Samantha. "O valor do trabalho ficou R$ 380 mil. Expliquei para ela que era um sacrifício muito forte, que a espiritualidade ia dar ele por inteiro para ela".
Acusação e consequências
À época da denúncia, a mãe de santo afirmou que, no dia da contratação, elas fizeram uma videochamada, mas ela acabou sendo bloqueada por Juliana. Samantha disse ter ficado no prejuízo porque já tinha comprado os materiais usados para o casamento espiritual, que vêm da África e foram adquiridos com um fornecedor de Salvador (BA).
"Até o momento, eu não sabia de onde vinha o valor. Eu só estava exercendo o meu trabalho", destacou Samantha, que começou a procurar informações sobre Juliana para cobrar o pagamento e descobriu que a mulher era vice-prefeita de Ribeira. A mentora espiritual expôs a situação nas redes sociais e publicou uma captura de tela para comprovar que estava realizando um trabalho para a vice-prefeita. A denúncia veio à tona porque a imagem mostrava que o pagamento havia sido feito pela empresa W.F.
De acordo com o MP, os acusados teriam integrado uma associação criminosa entre 2021 e 2024 para fraudar licitações da área da saúde no município. A denúncia envolve fraude a licitações, uso de notas fiscais falsas e desvio de dinheiro. A Justiça determinou a suspensão dos contratos de pregões sob suspeita de fraude. A vice-prefeita foi afastada do cargo após a denúncia.



