Sanções dos EUA prejudicaram investigação do PCC, diz diretor da PF
Sanções dos EUA prejudicaram investigação do PCC

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos a suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) geraram prejuízos à investigação brasileira. Em entrevista exclusiva, Rodrigues disse que a Operação Exchange, que visa desarticular uma rede de lavagem de dinheiro do tráfico, teve de ser antecipada por causa das medidas americanas.

Antecipação da operação e impacto nas investigações

Segundo Rodrigues, a decisão do governo Trump de equiparar facções criminosas a organizações terroristas e aplicar sanções financeiras a indivíduos ligados ao PCC forçou a PF a agir antes do planejado. "A operação foi antecipada porque os EUA apontaram movimentação financeira de brasileiros suspeitos. Isso dificultou a identificação de todos os alvos", explicou.

Um dos principais alvos ainda foragido é Victor Henrique de Oliveira Shimada. A PF estima que a rede movimentou mais de R$ 100 milhões em lavagem de dinheiro para o PCC. As sanções americanas bloquearam contas e ativos nos EUA, mas também alertaram os criminosos, que passaram a ocultar provas.

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Relação com os EUA e consequências

Andrei Rodrigues destacou que a PF mantém cooperação com as autoridades americanas, mas as sanções unilaterais criaram desafios operacionais. "Nós perdemos a surpresa da operação. Vários investigados conseguiram fugir ou destruir documentos antes que pudéssemos agir", afirmou.

A Operação Exchange é considerada uma das maiores já realizadas pela PF contra o PCC. Até o momento, 12 pessoas foram presas e mais de R$ 50 milhões em bens foram apreendidos. No entanto, o diretor-geral admite que o prejuízo causado pelas sanções pode comprometer o avanço das investigações.

Contexto das sanções americanas

Em janeiro de 2026, o governo dos EUA incluiu o PCC na lista de organizações criminosas transnacionais, permitindo sanções financeiras e restrições de visto. A medida foi elogiada por alguns setores, mas criticada por especialistas que apontam a falta de coordenação com as forças policiais brasileiras.

"A intenção dos EUA foi boa, mas a execução atrapalhou nosso trabalho", resumiu Rodrigues. A PF agora trabalha para identificar outros membros da rede e repatriar valores bloqueados no exterior.

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