Rosto é principal alvo em 70% a 90% das agressões contra mulheres, aponta estudo
Rosto é alvo principal em até 90% das agressões contra mulheres

O rosto é o principal alvo das agressões físicas contra mulheres. Estudos baseados em laudos de exames de corpo de delito indicam que entre 70% e 90% dos casos de violência física contra mulheres têm como alvo o rosto da vítima. A informação é da promotora de Justiça Fabíola Sucasas, que atua na área de violência de gênero.

Caso Samira Khouri: agressão deixou marcas profundas

A médica Samira Khouri, de 27 anos, é uma das vítimas desse tipo de violência. Ela foi agredida pelo então namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, durante uma viagem a São Paulo. As agressões ocorreram após uma briga em uma boate. Samira retornou ao apartamento alugado e, meia hora depois, Pedro chegou e começou a agredi-la.

“O Pedro quebrou todas as estruturas que seguram o meu globo ocular, além de vários ossos da minha face, principalmente do lado esquerdo”, relata a médica. Ela ainda enfrenta dificuldades emocionais: “Todo dia eu olho no espelho, eu sorrio e falo assim: essa não sou eu. Está torto, não está normal. Eu me sinto perdida. Eu demorei muito tempo para ter autoestima. E, para mim, ter ela roubada é um absurdo”, desabafa.

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Pedro Garcia aguarda julgamento preso

O agressor está preso e aguarda julgamento. Samira espera que a Justiça reconheça a tentativa de feminicídio: “A única coisa que eu quero muito é que o caso seja julgado como realmente foi, que foi uma tentativa de feminicídio, e não seja desqualificado para lesão corporal grave, porque isso seria, assim, um absurdo”, afirma.

Subnotificação dificulta mapeamento da violência

Casos de violência de gênero enfrentam um histórico de subnotificação que dificulta o mapeamento pelos órgãos de segurança. Um estudo realizado com 3.193 usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na Grande São Paulo revelou que 76% delas relataram ter sofrido violência psicológica, física ou sexual. No entanto, apenas 3,8% dessas mulheres tinham o registro da agressão formalizado em seus prontuários médicos. Isso evidencia que a maior parte dos episódios que chegam ao sistema de saúde não alcança o sistema de Justiça.

Impacto das agressões no rosto

A promotora Fabíola Sucasas destaca que a agressão ao rosto tem um significado simbólico e prático. O rosto é a identidade da pessoa, e as marcas visíveis podem causar traumas psicológicos duradouros. Além disso, as lesões faciais muitas vezes exigem cirurgias reparadoras e acompanhamento médico prolongado.

Samira Khouri segue em recuperação e luta para que seu caso sirva de alerta. Ela espera que a Justiça seja feita e que outras mulheres não passem pelo mesmo sofrimento.

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