Operação prende trader suspeito de fraudes e lavagem de R$ 100 mi
Preso trader suspeito de fraudar R$ 100 mi em Teresina

A Polícia Civil do Piauí prendeu na sexta-feira (10) o trader Douglas Fonseca, fundador do DF Group, e mais nove pessoas suspeitas de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A operação, deflagrada em Teresina, investiga um grupo que prometia lucros mensais de até 10% para atrair investidores, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).

Esquema de pirâmide financeira

De acordo com o delegado Roni Silveira, da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, o grupo fez mais de 70 vítimas e movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos. Douglas se apresentava como um trader reconhecido internacionalmente, com mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro. No entanto, os registros do DF Group não possuíam mais de dois anos.

“O grupo atuava basicamente na promessa de investimentos no mercado de capitais. Fazia seus anúncios, especialmente nas redes sociais, mostrando valores exorbitantes que podiam chegar a 10% de maneira mensal. Para quem sabe minimamente ou até mesmo não conhece, sabe que esses valores são impossíveis de serem alcançados com regularidade”, afirmou o delegado durante coletiva de imprensa.

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Modelo de captação de recursos

Segundo a investigação, as vítimas faziam aportes financeiros acreditando que o DF Group aplicava diretamente os recursos no mercado financeiro, mas a empresa não tinha autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Era uma empresa apenas para atrair as pessoas. Não tinha aquela validação junto à CVM”, explicou Roni Silveira.

O delegado detalhou que o esquema funcionava como uma pirâmide: os pagamentos eram feitos com o dinheiro de novos investidores. “Diante disso, percebeu-se uma bolha de pequenos investimentos. As pessoas foram injetando seu dinheiro e aos poucos, chega um ponto que eles não conseguem mais pagar. O pagamento era via captação de novos recursos. Chega um ponto que os recursos acabam”, completou.

Ostentação como isca

Douglas exibia uma vida de ostentação nas redes sociais para atrair novas vítimas, segundo o delegado. “Há algum tempo começou a chamar nossa atenção a ostentação do Douglas, que é o principal investigado, o chefe de toda a estrutura”, concluiu Roni Silveira.

Durante a operação, foram apreendidos 11 veículos, incluindo carros de luxo, armas de fogo, documentos, relógios e joias. Um escritório utilizado pelos suspeitos foi interditado. Contratos e outros documentos apreendidos passarão por análise para identificar outros envolvidos e localizar novas vítimas.

Apelo para novas denúncias

O superintendente de operações integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, destacou que muitas vítimas ainda não registraram boletim de ocorrência. “Nós verificamos que tem muitas vítimas que ainda não registraram Boletim de Ocorrência, com a falsa promessa ou acreditando que o Douglas ia fazer o pagamento. Então eu peço para que essas pessoas que foram vítimas, registrem Boletim de Ocorrência”, afirmou.

Denúncias podem ser feitas pelo BO Fácil, plataforma digital da SSP-PI, pelo WhatsApp no número 0800 086 0190, ou em qualquer delegacia de Polícia Civil. A Superintendência de Defesa e Proteção do Consumidor (Sudecon) também está recebendo vítimas.

A identidade dos outros presos não foi divulgada. O g1 entrou em contato com a defesa do investigado e aguarda posicionamento.

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