A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária na Americanas. Desta vez, os alvos incluem acionistas e executivos de bancos credores, além de ex-diretores da varejista. As investigações apontam fortes indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
Fraudes contábeis e contratos fictícios
Segundo a PF, as apurações indicam que os suspeitos 'teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico'. A investigação busca esclarecer o envolvimento de acionistas de referência e instituições financeiras que, supostamente, tinham ciência das irregularidades.
Recuperação judicial e colaboração
A Americanas, que está em recuperação judicial desde janeiro de 2023, informou que colabora com as autoridades. Em nota, a empresa afirmou que 'tem interesse na apuração completa dos fatos e na responsabilização dos envolvidos'. Já os acionistas de referência, incluindo os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, negam qualquer participação nas fraudes e afirmam terem sido enganados pela antiga diretoria.
A operação desta fase cumpre mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais no Rio de Janeiro e em São Paulo. A PF também solicitou o bloqueio de bens e valores dos investigados, visando reparar os prejuízos estimados em mais de R$ 20 bilhões.
Contexto da fraude
A fraude na Americanas veio a público em janeiro de 2023, quando a empresa revelou um rombo contábil de cerca de R$ 20 bilhões. As investigações da primeira fase da Operação Disclosure, em fevereiro de 2024, já haviam mirado ex-diretores e executivos. Agora, a PF amplia o escopo para incluir aqueles que, supostamente, lucraram com as práticas ilícitas ou as ocultaram.
O Ministério Público Federal acompanha o caso e já apresentou denúncias contra alguns dos investigados. A expectativa é que novas fases da operação ocorram nos próximos meses, à medida que as provas são analisadas.



