A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 240 mil na residência da deputada estadual de Roraima, Tayla Peres (sem partido), durante a Operação Testa de Ferro, deflagrada nesta quarta-feira (26). O montante, parte em reais e parte em dólares, foi encontrado em um cofre no imóvel da parlamentar, que é investigada por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à compra e venda de veículos.
Operação Testa de Ferro cumpre 16 mandados
A Justiça Federal expediu 16 mandados de busca e apreensão, cumpridos em 11 endereços nos municípios de Boa Vista, Alto Alegre e Bonfim, todos em Roraima. A ação é um desdobramento de investigações que apontam a utilização de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita de recursos obtidos com a venda de automóveis. Segundo a PF, o esquema movimentou milhões de reais nos últimos anos.
Além da apreensão em espécie, os agentes recolheram documentos, celulares e computadores que serão periciados. A deputada Tayla Peres não foi presa, mas é alvo de apuração por suspeita de integrar a organização criminosa.
Defesa nega acusações
O advogado da deputada, identificado como André Santos, afirmou em nota que Tayla Peres é inocente e que a quantia apreendida tem origem lícita, proveniente de economias pessoais e da atividade política. "A deputada sempre agiu dentro da lei e confia na apuração dos fatos. O dinheiro é fruto de seu trabalho e será devidamente comprovado", declarou o defensor.
Tayla Peres foi candidata a vice-governadora de Roraima na eleição suplementar de 2024, na chapa encabeçada pelo então candidato a governador, Marcos Silva (PSD). A chapa ficou em segundo lugar, com 28% dos votos válidos.
Esquema de lavagem com veículos
As investigações tiveram início em 2023, após a Receita Federal identificar movimentações financeiras atípicas em contas de empresas de fachada. Os recursos eram utilizados para adquirir veículos de luxo, que depois eram revendidos com notas fiscais frias. A PF estima que o grupo criminoso tenha movimentado cerca de R$ 15 milhões nos últimos três anos.
A Operação Testa de Ferro é um desdobramento da Operação Lavagem, que já havia prendido três pessoas em 2024. Os envolvidos podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade documental, com penas que podem ultrapassar 20 anos de reclusão.



