O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ajuizou uma Ação Civil Pública contra o prefeito de Ibirapuitã, Rosemar Hentges (PP), e seu filho Lorenzo Henrique Hentges, pedindo o afastamento deste do cargo de secretário de Administração. A ação, protocolada na segunda-feira (29), alega que a nomeação configura nepotismo e improbidade administrativa, sendo esta a segunda vez que o prefeito nomeia o filho para um cargo de primeiro escalão.
Reincidência de nepotismo
Segundo o MPRS, em 2025, um dia após Lorenzo completar 18 anos, o prefeito o nomeou secretário da Fazenda. Ele permaneceu no cargo até março deste ano, quando foi exonerado após manifestação do Ministério Público. Na ocasião, Hentges afirmou que a função não exigia formação específica. Contudo, documentos apresentados durante a apuração revelaram que Lorenzo ainda não havia concluído a educação básica ao assumir a pasta.
Pouco mais de dois meses após a exoneração, Lorenzo retornou ao primeiro escalão, agora como secretário de Administração. Para a Promotoria, a nova designação reforça a intenção de manter o filho em posições estratégicas na estrutura do Executivo municipal. "A única circunstância permanente e comum às duas nomeações é o vínculo de parentesco existente entre o nomeado e o agente nomeante", registra o documento do MP.
Argumentos do Ministério Público
Na ação, o MP afirma que os elementos reunidos apontam falta de preparo compatível com as atribuições do cargo. O documento destaca que a exoneração anterior e a posterior nomeação evidenciam conhecimento da possível violação aos princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência na administração pública. A ação também atribui ao prefeito a suposta prática de improbidade administrativa.
O g1 procurou o Tribunal de Justiça do RS (TJRS) para verificar se o pedido foi acatado, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
Posição da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Ibirapuitã informou que não foi citada nem intimada oficialmente sobre a ação. O Executivo municipal afirma que já prestou esclarecimentos ao MP e sustenta que Lorenzo possui capacitação suficiente para o cargo. A nota ressalta que o cargo de secretário municipal tem natureza política, de livre nomeação e exoneração, conforme jurisprudência do STF. Também destaca que a legislação municipal não exige formação específica e que o secretário tem formação acadêmica em andamento, cursos de capacitação e experiência prática na administração pública. O prefeito reafirma que a nomeação observou a Constituição e a legislação vigente, e a administração se compromete a cumprir integralmente qualquer decisão judicial.



