Feminicídios batem recorde em 2025: 1.571 mulheres mortas, alta de 4%
Feminicídios recorde em 2025: 1.571 mulheres mortas

O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime, em 2015. Foram 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, uma média de quatro por dia. O dado representa um aumento de 4% em relação aos 1.504 casos de 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O recorde acende um alerta sobre a eficácia das políticas de proteção à mulher.

Contraste com a queda geral de homicídios

Enquanto os feminicídios crescem, as mortes violentas em geral no país atingiram o menor patamar em mais de uma década. Especialistas apontam que o problema não é um fracasso generalizado da segurança pública, mas uma falha específica na proteção às mulheres. O anuário mostra que muitos feminicídios foram precedidos por denúncias e ameaças que o Estado não conseguiu transformar em proteção efetiva.

Violência anunciada e falhas na resposta estatal

O feminicídio costuma ser o desfecho de um longo ciclo de violência doméstica. Em muitos casos, a vítima já havia procurado ajuda antes de ser morta. O Brasil dispõe da Lei Maria da Penha (2006) e de outros mecanismos legais, mas as medidas protetivas são descumpridas, o monitoramento dos agressores é insuficiente e a integração entre polícia e Justiça apresenta falhas. A resposta estatal continua lenta para mulheres que já pediram socorro.

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Debate legislativo focado no alvo errado

Em vez de aperfeiçoar os mecanismos de proteção existentes, grande parte da energia legislativa está concentrada no PL da Misoginia, em tramitação na Câmara dos Deputados. A proposta discute condutas e discursos, mas ignora o principal problema revelado pelo anuário: mulheres continuam sendo mortas apesar das leis já existentes e, muitas vezes, depois de recorrer ao Estado. Para os pesquisadores, a urgência é garantir que os instrumentos disponíveis funcionem, antes de ampliar o repertório legislativo com disputas simbólicas.

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