O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que os feminicídios bateram recorde no país, enquanto a taxa de assassinatos atingiu o menor nível desde 2012. Santa Catarina se destaca negativamente: foi o estado com o maior número de registros policiais de ameaças contra mulheres e também liderou as ocorrências de crimes de racismo.
Santa Catarina lidera ameaças contra mulheres
Segundo o anuário, Santa Catarina registrou 1.733 ameaças contra mulheres a cada 100 mil habitantes em 2025, mais que o dobro da média nacional, que foi de 720,9 por 100 mil. O estado superou Amapá (1.491) e Distrito Federal (1.477). A publicação ressalta que os números refletem apenas os casos que chegaram às instituições policiais, "e não da totalidade da violência efetivamente vivida pelas mulheres brasileiras".
Descumprimento de medidas protetivas
Santa Catarina também aparece entre os estados com maior descumprimento de medidas protetivas: 93,8 por 100 mil mulheres, ligeiramente acima dos 93,6 de 2024. A média nacional é de 61,9 por 100 mil. Paraná lidera com 195,3, seguido por Rio Grande do Sul (123,7) e Rondônia (108,7). Todos os estados brasileiros tiveram aumento nesse indicador. O estudo afirma ser "essencial a abertura para além dos trajetos punitivos" e defende "a migração para uma perspectiva de prevenção e de intervenção precoce".
Menor taxa de mortes violentas do Brasil
Apesar dos índices alarmantes de violência contra a mulher, Santa Catarina superou São Paulo e se tornou o estado com a menor taxa de mortes violentas do país em 2025. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 8,6 para 7,6 em relação a 2024.
Racismo e injúria racial
No quesito racismo, Santa Catarina registrou 32,8 ocorrências policiais a cada 100 mil habitantes, a maior do país, seguida por Distrito Federal (30,3) e Rio Grande do Sul (26,8). A média nacional foi de 15,7. Em injúria racial, Distrito Federal lidera (28,9), seguido por Santa Catarina (27,1) e Mato Grosso (20,6); a média nacional é 11,2. O anuário destaca que "mais pessoas têm conseguido denunciar a violência racial, mas a estrutura de desrespeito segue firme no cotidiano" e que "não há convergência entre a proteção legal e a proteção real ao racismo".



