A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, alvo da Operação Falsa Emergência, apresentou-se no Fórum de Palmas na última segunda-feira (15), cinco dias após ter a prisão decretada. Ela deixou a própria casa 14 minutos antes da chegada da Polícia Civil, no dia 10 de junho, comportamento considerado suspeito no relatório policial. Cláudia é investigada por suposta fraude no contrato de R$ 139 milhões para terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas.
Fuga e apoio de conhecida
Segundo o relatório da Polícia Civil, após sair de casa, Cláudia seguiu até a residência de uma conhecida, onde permaneceu por várias horas. Ela escondeu o veículo que utilizava e ficou no local mesmo após o início da operação e a repercussão do caso na mídia. As investigações mostram que ela ficou na casa durante toda a manhã do dia 10 de junho. Por volta das 12h40, deixou o imóvel em um carro diferente, o que, conforme a polícia, dificultou o rastreamento. O documento afirma que ela seguiu “em rumo ignorado”, impedindo o cumprimento do mandado de prisão naquele momento. A Polícia Civil aponta que a empresária contou com apoio para permanecer fora do alcance das autoridades.
Indiciamento e defesa
Com a conclusão do inquérito sobre a terceirização das UPAs, Cláudia foi indiciada por corrupção ativa, peculato-desvio, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO), que analisarão as medidas cabíveis. A defesa de Cláudia afirmou que o relatório policial apresenta conclusões que não correspondem à realidade e classificou o documento como inadequado. Segundo o advogado, o relatório tem caráter apenas informativo e não encerra a análise dos fatos pelas autoridades responsáveis.
Atuação como lobista
O relatório também aponta que Cláudia não é considerada uma figura ocasional na investigação. A empresária é apontada como intermediadora de interesses ligados ao setor de saúde pública e tinha presença frequente na Secretaria Municipal de Saúde de Palmas, participando de reuniões e mantendo contato com servidores envolvidos no processo investigado. Segundo os investigadores, essa atuação inclui relação com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, contratada pelo município, e proximidade com agentes públicos que atuaram na formalização da parceria, entre eles o ex-superintendente de Atenção à Saúde Andreis Vicente da Costa.
Carro de luxo alugado
Um dos pontos centrais da investigação é a relação da empresária com Andreis Vicente da Costa. O Ministério Público indicou que Cláudia alugou um carro de luxo BMW X1 S20I M Sport (ano fab/mod 2025/2026) um dia antes da assinatura da Justificativa de Dispensa de Chamamento Público, documento que dispensou procedimento licitatório. O veículo supostamente foi entregue ao superintendente da Semus, responsável por montar o processo de contratação. Para os investigadores, o uso do veículo pode indicar vantagem indevida disfarçada, pois o custo é considerado incompatível com a renda do servidor. A BMW foi locada a um custo global de R$ 228.576,00 por dois anos, equivalente a R$ 9.524,00 por mês. Conforme os autos, o superintendente usava o carro com frequência, mantinha proximidade com a empresária e frequentava o endereço dela. Relatórios também apontam que os dois viajaram para o estado de São Paulo durante o andamento das investigações. A defesa de Andreis nega vantagem indevida e diz que ele tinha um relacionamento pessoal com Cláudia.
Defesa de Andreis
A defesa de Andreis Vicente da Costa informou que aguarda apreciação do pedido de revogação da prisão preventiva, formulado no dia 15 de junho de 2026. A defesa também aguarda acesso a diversos documentos que ainda estão sob sigilo, apesar da conclusão das investigações. Foi apresentado relatório final no inquérito, com indiciamento de Andreis, sem que ele nunca tenha sido ouvido. Não foi ouvido quando sofreu busca e apreensão, não foi chamado para dar explicações após essa fase e não foi ouvido quando de sua prisão. A defesa reafirma o respeito pelas instituições, acredita na Justiça e aguarda com serenidade a apreciação do pedido de revogação da prisão preventiva. Tão logo esteja em liberdade, ele apresentará à Justiça e ao Ministério Público os esclarecimentos que não teve oportunidade de prestar na investigação.



