EBC é acusada de censurar jornalismo público em período eleitoral
EBC é acusada de censurar jornalismo público

Entidades de defesa da liberdade de imprensa acusam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) de praticar censura ao retirar do ar notícias de cunho político durante o período eleitoral. A denúncia foi feita em nota conjunta divulgada nesta semana, assinada por organizações como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Decisão da EBC gera polêmica

Segundo as entidades, a EBC removeu reportagens e conteúdos jornalísticos de suas plataformas sem justificativa clara, em um momento crítico para a democracia. A medida foi classificada como 'um ataque direto ao jornalismo público' e 'uma tentativa de silenciar a imprensa independente'. A nota cita especificamente a exclusão de matérias sobre candidaturas e propostas de governo, que estavam no ar antes da decisão.

A EBC, por sua vez, alega que a retirada dos conteúdos segue orientações jurídicas para evitar desequilíbrio na cobertura eleitoral, mas as entidades contestam: 'Não há qualquer base legal para remover conteúdos já publicados, a menos que violem a lei eleitoral de forma comprovada', afirma a nota.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Repercussão entre especialistas

Para o presidente da Abraji, Marcelo Träsel, a atitude da EBC 'fere o princípio da transparência e do direito à informação'. Ele destaca que a empresa pública tem o dever de garantir a pluralidade de vozes, especialmente em ano eleitoral. 'O que vemos é uma interferência política na linha editorial, o que é inaceitável para uma empresa de comunicação estatal', declarou.

A Fenaj também se manifestou, afirmando que a medida 'configura censura prévia' e que 'a EBC está sendo usada para favorecer interesses políticos'. A entidade promete acionar o Ministério Público Federal para investigar o caso.

Impacto na cobertura eleitoral

A ação da EBC ocorre em um contexto de acirramento das disputas políticas, com as eleições gerais se aproximando. Jornalistas da empresa relataram, sob anonimato, que houve pressão para evitar temas considerados 'sensíveis' pela direção. A Abraji lembra que a liberdade de imprensa é garantida pela Constituição e que qualquer restrição deve ser excepcional e fundamentada.

Até o momento, a EBC não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A empresa é responsável por veículos como a TV Brasil, a Rádio Nacional e a Agência Brasil, que têm alcance nacional. A polêmica reacende o debate sobre o papel das empresas públicas de comunicação e os limites da atuação do Estado no jornalismo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar