Crise torna Michelle bode expiatório do inferno astral de Flávio Bolsonaro
Crise torna Michelle bode expiatório de Flávio Bolsonaro

O inferno astral vivido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas últimas semanas transformou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em bode expiatório dentro do partido. Aliados do senador passaram a atribuir a ela parte das derrotas eleitorais e do isolamento político do clã Bolsonaro.

Queda de braço no PL

Nos bastidores, integrantes da cúpula do PL afirmam que Michelle teria influenciado o ex-presidente Jair Bolsonaro a se afastar de Flávio e a priorizar alianças com outros setores. A insatisfação cresceu após a derrota do candidato do partido à prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, que muitos creditam à falta de união familiar.

Flávio, que vinha sendo visto como o herdeiro político natural de Bolsonaro, perdeu espaço para Michelle, que passou a articular diretamente com Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Segundo fontes, Michelle teria pedido a Bolsonaro que não participasse de eventos ao lado de Flávio, o que gerou atritos.

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Cobranças internas

Em reunião fechada do PL, um deputado aliado de Flávio disse que Michelle "está queimando o filme da família" e que ela "não entende de política". Outro dirigente reclamou que a ex-primeira-dama "está querendo mandar mais que o marido".

Procurada, a assessoria de Michelle Bolsonaro não comentou. Já Flávio Bolsonaro, em entrevista, negou rusgas: "Não há crise alguma. Michelle é uma mulher forte e tem todo o meu respeito".

Impacto eleitoral

Pesquisa interna do PL mostra que a rejeição a Michelle subiu 12 pontos percentuais entre os evangélicos, base tradicional do bolsonarismo. O levantamento, realizado em maio, indica que 38% dos evangélicos têm opinião negativa sobre ela, ante 26% em janeiro.

Para analistas, a exposição de Michelle como bode expiatório reflete a disputa pelo controle do legado bolsonarista. Enquanto Flávio tenta se consolidar como líder, Michelle busca ampliar sua própria influência, especialmente junto ao eleitorado feminino e religioso.

A crise escancara as fissuras no clã Bolsonaro e pode impactar as eleições de 2028, quando o grupo tentará manter o domínio no Rio de Janeiro e projetar candidaturas nacionais.

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