CGU investiga se emendas parlamentares financiaram filme sobre Bolsonaro
CGU apura se emendas financiaram filme de Bolsonaro

A Controladoria-Geral da União (CGU) iniciou uma auditoria nas emendas parlamentares destinadas a entidades controladas por Karina da Gama, produtora do filme Dark Horse, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é apurar se houve desvio de dinheiro público para financiar a produção audiovisual, em vez de cumprir a finalidade original dos repasses. O relatório da CGU será encaminhado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de uma apuração sobre a real destinação dessas verbas.

Investigacão do caminho do dinheiro

Os auditores vão rastrear o fluxo financeiro, verificar se os projetos declarados foram executados e exigir provas documentais. A suspeita é que as emendas, formalmente alocadas para projetos sociais, tenham sido canalizadas para o filme. O deputado Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), da produtora, negou irregularidades. Em manifestação ao STF, sua defesa afirmou que a emenda foi direcionada a “projetos de inclusão digital, letramento, empreendedorismo e esportes para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social”.

“Não há, nos Autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica. A alegação é puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que, segundo a denunciante, ‘compartilham endereço’ — argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”, sustentou a defesa.

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Outra investigação em São Paulo

Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo investiga um contrato de Wi-Fi entre a prefeitura e uma entidade de Karina. Há suspeitas de que recursos públicos desse contrato tenham sido desviados para o filme. Em operação denominada “Wi-Fi”, três empresas controladas por Karina foram alvo de buscas. Segundo decisão judicial, “durante o período de vigência do contrato administrativo e dos repasses públicos milionários ao Instituto Conhecer Brasil, a investigada teria iniciado a produção de longa-metragem denominado ‘Dark Horse’, cujo custo estimado variaria entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual”.

A polícia apontou indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial entre Karina e a Go Up, empresa envolvida na produção. A coincidência entre o recebimento de recursos pela ONG e o início da produção do filme levanta a necessidade de esclarecer se houve uso indireto de verbas públicas.

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