Um assessor que atuava na negociação de emendas parlamentares para o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP) ocupou o cargo de diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada por documentos oficiais obtidos pelo blog.
Quem é o assessor e qual sua trajetória
O nome do assessor é Paulo Roberto de Oliveira, que trabalhou diretamente com Valdemar Costa Neto na articulação de emendas no Congresso. Ele foi nomeado diretor de Programas e Projetos Educacionais do FNDE em 2020, cargo que ocupou até o final de 2022. A função envolvia a gestão de repasses para obras e programas educacionais, frequentemente alvo de emendas parlamentares.
Documentos mostram que Oliveira participou de reuniões com prefeitos e secretários municipais para discutir liberação de recursos, muitas vezes intermediando interesses de parlamentares. A proximidade com Valdemar, que é presidente nacional do PL, levanta questionamentos sobre a influência política na distribuição de verbas.
Relação com emendas parlamentares
De acordo com fontes do blog, Oliveira era o responsável por negociar emendas individuais e de bancada indicadas por Valdemar. Em um dos casos, ele atuou para acelerar a liberação de R$ 2,5 milhões para um município do interior paulista, conforme registros internos. "Era um interlocutor direto entre o gabinete do deputado e o FNDE", afirmou um ex-servidor do fundo, sob condição de anonimato.
O FNDE é um órgão estratégico por concentrar verbas para merenda escolar, transporte e infraestrutura educacional. Durante a gestão Bolsonaro, o fundo foi alvo de denúncias de uso político de recursos, com investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.
Reações e desdobramentos
Procurado, Valdemar Costa Neto não se manifestou até a publicação. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio de sua assessoria, afirmou que "todas as nomeações no FNDE seguiram critérios técnicos" e que desconhece qualquer irregularidade. O atual governo Lula, que assumiu em 2023, ainda não comentou o caso.
A revelação ocorre em meio a um escândalo de corrupção envolvendo emendas parlamentares, que já resultou na prisão de assessores e na abertura de comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Congresso. A atuação de Oliveira no FNDE pode ser investigada como parte desse esquema.



