O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está no centro de novas revelações sobre supostas práticas ilícitas durante seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), apontam para um esquema de desvio de salários de funcionários de seu gabinete, que teria ocorrido entre 2007 e 2018.
O esquema de 'rachadinha'
De acordo com as apurações, Flávio Bolsonaro é suspeito de comandar um esquema de 'rachadinha', no qual funcionários contratados para seu gabinete eram obrigados a devolver parte de seus salários. O MP-RJ estima que o valor desviado pode chegar a R$ 2,1 milhões, corrigidos pela inflação. A investigação teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectar movimentações atípicas na conta de um ex-assessor do senador, Fabrício Queiroz.
Em depoimento, Queiroz afirmou que as movimentações eram para pagar dívidas pessoais e negou envolvimento de Flávio. No entanto, o MP-RJ considera que há indícios suficientes para aprofundar as investigações. O senador, por sua vez, nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
Desdobramentos judiciais
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro. Em julho de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia formal contra o senador, que agora aguarda julgamento. Se condenado, Flávio pode pegar pena de até 15 anos de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O advogado de Flávio, Rodrigo Roca, afirmou que a defesa 'confia na inocência do senador e que as provas são frágeis'. Já o MP-RJ sustenta que 'as evidências são robustas e demonstram um padrão de conduta criminosa'. O caso tem gerado grande repercussão política, especialmente por envolver um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Impacto político
As acusações contra Flávio Bolsonaro ocorrem em um momento de tensão política no Brasil, com as eleições presidenciais se aproximando em 2026. Analistas apontam que o caso pode prejudicar a imagem da família Bolsonaro e influenciar o cenário eleitoral. O senador, no entanto, mantém sua base de apoio e afirma que as investigações são 'uma tentativa de desestabilizar a direita no Brasil'.
Enquanto isso, o STF deve decidir nos próximos meses se aceita a denúncia e inicia a ação penal. A expectativa é de que o julgamento seja acompanhado de perto pela opinião pública e pela classe política.



