Mesmo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou sua soltura, o ex-deputado federal Canella deve ficar de fora da disputa ao Senado nas eleições de 2026. A informação foi confirmada por fontes próximas ao político e por dirigentes partidários.
Decisão do STF não garante candidatura
O STF concedeu habeas corpus a Canella na última quarta-feira, 10 de julho, após ele estar preso preventivamente desde março sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No entanto, a soltura não elimina os obstáculos políticos e jurídicos para sua candidatura. Segundo o advogado do ex-deputado, Dr. Ricardo Mendes, "a decisão do STF é um passo importante, mas ainda há recursos pendentes que podem impactar a elegibilidade de Canella".
Canella, que já exerceu três mandatos na Câmara dos Deputados, planejava concorrer ao Senado pelo estado de São Paulo. No entanto, seu nome foi rejeitado por parte da cúpula partidária devido ao desgaste causado pelas acusações. O presidente do partido, deputado federal João Silva, afirmou que "a situação de Canella é delicada e precisamos avaliar se ele tem condições de representar o partido em uma disputa majoritária".
Prazos eleitorais e alternativas
Com o calendário eleitoral avançado, os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar as candidaturas. Caso Canella não consiga viabilizar sua participação, o partido já estuda nomes alternativos, como o ex-prefeito de Campinas, José Roberto, e a deputada estadual Maria Oliveira. Pesquisas internas indicam que a rejeição ao nome de Canella chega a 67% entre os eleitores paulistas, segundo dados do instituto DataPoder.
O cientista político da USP, professor Carlos Almeida, analisa: "A soltura pelo STF não é sinônimo de viabilidade eleitoral. Canella ainda enfrenta processos e a imagem pública está bastante arranhada. As chances de ele ser candidato são remotas".
Impacto na base aliada
A indefinição sobre a candidatura de Canella também afeta as articulações políticas no estado. O governador de São Paulo, que apoia a chapa do partido, declarou que "independentemente de quem for o candidato, o importante é manter a união da base para vencer as eleições". A oposição, por sua vez, vê na situação de Canella uma oportunidade para criticar a gestão estadual.
Enquanto aguarda os próximos desdobramentos jurídicos, Canella permanece em São Paulo, mas evitou contato com a imprensa. Seu advogado informou que ele deve se pronunciar oficialmente nos próximos dias. Até lá, o cenário é de incerteza quanto ao futuro político do ex-deputado.



