Júri dos PMs acusados de matar delator do PCC começa em Guarulhos
Júri dos PMs acusados de matar delator do PCC começa

O Tribunal do Júri de Guarulhos iniciou nesta segunda-feira (22) o julgamento de três policiais militares acusados de participar do assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). A primeira testemunha ouvida foi William Souza Santos, uma das vítimas do ataque ocorrido em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Depoimento da primeira testemunha

William, que trabalhava no aeroporto há sete anos, afirmou que não conhecia nenhuma das vítimas nem conseguiu identificar os atiradores. "Era uma sexta-feira. Normalmente o aeroporto é movimentado, mas naquele horário nem tanto. Mais tarde, com o embarque e desembarque de passageiros e a chegada dos funcionários, o fluxo seria bem maior", relatou. Segundo ele, nada chamou sua atenção até o momento em que um carro parou próximo à faixa de pedestres onde conversava com um amigo. "Reparei quando o veículo parou e, logo em seguida, ouvi um barulho que parecia rojão", disse. Durante o ataque, William foi atingido em três dedos da mão.

Composição do júri e cronograma

O Conselho de Sentença é composto por William e outros três homens e três mulheres. A previsão é de que o julgamento dure cinco dias, com sessões iniciando sempre às 10h. Ao todo, serão ouvidas 21 testemunhas. Os promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes arrolaram nove testemunhas de acusação, incluindo duas pessoas que estavam no terminal e foram baleadas, a viúva do motorista de aplicativo Celso Novais, oficiais do Inquérito Policial Militar (IPM), o segurança particular de Gritzbach, Danilo Silva Lima, a delegada Luciana Peixoto e o perito responsável pelo relatório pericial. As defesas dos réus indicaram 12 testemunhas, uma delas comum ao Ministério Público de São Paulo.

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Os réus e as acusações

Os três PMs acusados são: Fernando Genauro da Silva, tenente da PM, acusado de dirigir o carro usado na fuga; Denis Antonio Martins, cabo da PM, apontado como o autor dos disparos contra Gritzbach; e Ruan Silva Rodrigues, soldado, que também teria atirado no empresário. Todos estão presos e respondem por homicídio qualificado pela morte de Gritzbach e do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio contra outras pessoas feridas no episódio.

O crime e o contexto

Gritzbach foi morto com tiros de fuzil na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 8 de novembro de 2024. O motorista de aplicativo Celso Novais, que não conhecia a vítima, foi atingido por um disparo e morreu. Antes de ser executado, Gritzbach havia delatado ao Poder Judiciário um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo o PCC, o Comando Vermelho (CV) e policiais corruptos. Em troca, receberia redução de pena caso fosse condenado por lavagem de dinheiro para as facções.

Outros réus e foragidos

Kauê do Amaral Coelho, conhecido como "Jub" ou "Jubileu", apontado como "olheiro", está foragido. A defesa apresentou recurso e o processo foi desmembrado. Diego dos Santos Amaral ("Didi") e Emilio Carlos Gongorra Castilho ("Cigarreira", "João Cigarreiro", "Bill" ou "Pai"), apontados como mandantes, também estão foragidos. A ação contra eles permanece suspensa.

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Defesa dos réus

Os advogados de defesa afirmam que os três acusados são inocentes e que "houve um direcionamento investigativo voltado à sua incriminação, sem a devida apuração de fatos e circunstâncias envolvendo outros investigados". A defesa destaca que a Polícia Federal prendeu temporariamente os policiais civis Fábio Baena e Eduardo Monteiro em 13 de dezembro de 2024, após apreensão de celulares e análise de dados em nuvem. As perícias identificaram que, em 11 de novembro de 2024, Eduardo Monteiro reiniciou seu aplicativo de mensagens; no dia seguinte, excluiu gravações do sistema DVR de sua residência; e em 22 de novembro, usou o celular da esposa para pesquisar sobre a prisão de Mateus e Kaue. "A defesa dos policiais trata essa evidência como um grande indicativo da participação de Eduardo Monteiro no homicídio, como Monteiro sabia da existência de Mateus? A única possibilidade seria ele saber quem executou Gritzbach", sustentam. Além disso, câmeras do aeroporto mostram que o crime ocorreu às 16h04; cerca de 30 minutos depois, Baena e Monteiro se comunicaram por chamada de áudio, e após as 16h45, Baena bloqueou o contato do advogado Ahmed Hassan Saleh ("Dr. Mudi"), que foi gravado oferecendo R$ 3 milhões pela morte de Gritzbach.

Segurança reforçada no fórum

O Fórum de Guarulhos terá esquema especial de segurança durante o julgamento. A presidência do tribunal suspendeu as audiências de outros processos no período para garantir a integridade dos trabalhos. O fórum passará por bloqueio temporário, com circulação restrita a pessoas diretamente ligadas ao caso. Grupos táticos da polícia atuarão em conjunto com o policiamento rotineiro. A sala do júri, com capacidade para 80 pessoas, será ocupada apenas por magistrados, promotores, advogados, réus, jurados e servidores. Não será permitida a entrada de público sem vínculo direto com o julgamento.