José Dirceu, candidato à Câmara, prepara terceiro livro de memórias
Dirceu prepara terceiro livro de memórias

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, lançado como candidato à Câmara dos Deputados, já planeja o terceiro volume de suas memórias. A informação é da coluna de Lauro Jardim, publicada nesta terça-feira no jornal O Globo. De acordo com o colunista, o petista decidiu dar continuidade ao projeto memorialístico após avaliar que ainda há capítulos relevantes para contar sobre a história recente do Brasil.

Um projeto que atravessa décadas

Nos dois livros anteriores, Dirceu narrou desde a militância estudantil nos anos 1960 até a chegada ao primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, o terceiro título deve concentrar-se no período mais turbulento de sua trajetória: a prisão e a condenação no âmbito da Operação Lava Jato, a anulação de seus processos e a consequente volta à cena política.

Segundo Lauro Jardim, Dirceu ainda não assinou contrato com nenhuma editora, mas já tem em mente o recorte temático da obra. O plano é mostrar sua versão dos fatos e contextualizar a disputa jurídica e política que marcou a última década. O ex-ministro repete com frequência que seus julgamentos foram motivados por perseguição, tese que defensores e historiadores passaram a revisitar com nova ênfase.

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O que a obra deve revelar

O terceiro livro de memórias deverá tratar, ainda, das articulações que levaram à sua libertação e à anulação de decisões judiciais pelo Supremo Tribunal Federal. O texto buscará reconstituir reuniões, bastidores de negociações e os efeitos da prisão sobre sua família e sobre a esquerda brasileira.

Nos meios políticos, a notícia foi recebida com expectativa. A publicação promete ser mais um capítulo na batalha narrativa sobre a Lava Jato, tema que permanece no centro do debate político. Adversários do PT veem a iniciativa como uma tentativa de reescrever a história; aliados, por sua vez, enxergam na obra um resgate da memória de um dos quadros históricos do partido.

Livros anteriores e trajetória editorial

José Dirceu lançou seus primeiros relatos autorais em momentos distintos. Antes de se dedicar às memórias, publicou obras de caráter político e de análise conjuntural. Foi com as memórias, porém, que atraiu grande público, especialmente entre leitores interessados na política brasileira contemporânea.

O primeiro volume dedicado à sua história pessoal tratou da infância no interior de Minas Gerais, da mudança para São Paulo e da militância na Juventude Estudantil, que o levou à clandestinidade e ao exílio. O segundo volume avançou pela redemocratização, pela fundação do PT, pelas campanhas presidenciais e pelos anos do governo Lula, entremeados de crises e feitos administrativos.

Repercussão na campanha

O anúncio chega em meio à corrida eleitoral. Ao mesmo tempo em que tenta conquistar votos, Dirceu precisa lidar com o peso de seu passado. Para aliados, o livro representa uma contribuição histórica; para críticos, uma imposição de polêmica. Em palanques, o ex-ministro tem evitado associar a obra a um ato de campanha, preferindo apresentá-la como um dever de memória.

A estratégia, contudo, não deixa de ter impacto eleitoral. A base petista, sobretudo os setores mais à esquerda, costuma reagir com entusiasmo a qualquer movimento de reabilitação pública de Dirceu. Já o centro, que o partido tenta atrair para a disputa majoritária, pode reagir com cautela.

Sem data de lançamento

Por enquanto, não há data definida para o lançamento nem editora confirmada. O projeto, assim, segue em compasso de espera até a definição dos rumos da campanha. Ainda assim, o simples anúncio reacendeu discussões sobre o legado do ex-ministro e sobre o futuro da memória política nacional.

Se confirmado, o terceiro volume chegará às livrarias num momento em que parte da sociedade revisita o passado recente à luz de novas revelações sobre os bastidores do Judiciário e das delações premiadas. A obra deve reforçar a tese de que a história do Brasil não cabe em versões únicas, ainda que cada autor persiga a sua própria.

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