Pesquisa Genial/Quaest: vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro sobe para 6 pontos
Vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro chega a 6 pontos

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), apontou que a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno com Flávio Bolsonaro cresceu de um ponto, em abril, para seis pontos atualmente. O dado acendeu um alerta na campanha do senador, que até pouco tempo atrás focava em consolidar a transferência de votos de Jair Bolsonaro. Agora, o desafio é recuperar eleitores que se afastaram e reconstruir pontes com segmentos moderados.

Análise do cientista político

Em participação no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, o cientista político Leopoldo Vieira, CEO da Idealpolitik, avaliou que o desgaste recente de Flávio atingiu justamente os eleitores independentes, que não fazem parte do núcleo duro do petismo nem do bolsonarismo. Para ele, o senador continua sendo o principal nome da direita contra Lula, mas precisará de ajustes na campanha para voltar a crescer.

Estratégia defensiva

O primeiro passo, segundo Vieira, é evitar que o debate eleitoral gire em torno do Banco Master. Uma candidatura presidencial não consegue sustentar competitividade reagindo permanentemente a uma crise. A tendência é que a campanha recoloque temas amplos no centro, como economia, saúde, segurança pública e custo de vida. A estratégia já começou a ser implementada, com Flávio focando em propostas e se afastando das respostas ao caso Vorcaro.

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Reconquistar eleitores moderados

Para o analista, a desidratação mais relevante não ocorreu na base bolsonarista, mas entre eleitores que não são petistas nem bolsonaristas de carteirinha. Esse grupo costuma definir eleições apertadas. A candidatura cresceu inicialmente pela polarização e pela transferência de apoio de Jair Bolsonaro, mas a vitória exige convencer eleitores sem vínculo emocional com a candidatura.

Conter a rejeição

Outro ponto destacado é que a prioridade da campanha pode não ser aumentar imediatamente as intenções de voto, mas interromper a deterioração da imagem do senador. A lógica é estabilizar o cenário antes de expandir o apoio. Integrantes do entorno de Flávio demonstram preocupação com a rejeição, especialmente entre moderados.

Equilibrar base e centro

O maior desafio, segundo Vieira, é conciliar duas necessidades contraditórias: manter a base bolsonarista mobilizada e ampliar o alcance junto a setores que rejeitam discursos radicalizados. Um movimento excessivo ao centro pode desagradar a militância, enquanto reforçar a identidade bolsonarista dificulta conquistar novos eleitores.

Capacidade de governar

Se a primeira fase da campanha foi de consolidação na direita, a próxima será dominada pela demonstração de capacidade de governar. Flávio precisará apresentar respostas para reforma tributária, contas públicas, crescimento econômico e segurança. O cenário de 2026 é diferente de 2018, quando Jair Bolsonaro venceu sem plano de governo concreto. Agora, o Congresso tem mais poder sobre o Orçamento, e o mercado acompanha os planos econômicos. Não basta ser oposição a Lula; é preciso convencer o eleitor de que existe um projeto viável para administrar o país.

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