É urgente proteger juízes que atuam contra facções
É urgente proteger juízes que atuam contra facções

O editorial do Globo desta quarta-feira alerta para a necessidade urgente de proteger juízes que atuam contra facções criminosas. A escalada de ameaças e ataques a magistrados em todo o país revela uma crise de segurança que compromete a independência do Judiciário e a eficácia do combate ao crime organizado.

Ameaças crescentes e casos emblemáticos

Nos últimos meses, ao menos três juízes federais que atuam em processos contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram alvos de ameaças de morte. Em um dos casos, um magistrado do Rio de Janeiro teve sua residência invadida por criminosos, que deixaram um bilhete com ameaças. Outro juiz, em São Paulo, passou a utilizar escolta armada após receber mensagens intimidatórias.

Segundo a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), o número de pedidos de proteção aumentou 40% nos últimos dois anos. “A situação é gravíssima. Os juízes estão na linha de frente do combate ao crime, e o Estado precisa garantir que possam exercer sua função sem medo”, afirma o presidente da Ajufe, Eduardo Fernandes.

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Impacto na Justiça e na sociedade

A falta de proteção adequada pode levar à paralisação de investigações e processos contra organizações criminosas. Juízes que se sentem inseguros podem evitar casos de alto risco, o que enfraquece o Estado de Direito. “Sem juízes protegidos, o crime organizado ganha força. É uma questão de segurança nacional”, destaca o procurador-geral da República, Augusto Aras.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que, em 2025, foram registradas 127 ameaças a magistrados, um aumento de 35% em relação a 2024. A maioria dos casos ocorre em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas, onde as facções têm forte atuação.

Medidas necessárias

Especialistas defendem a criação de um programa nacional de proteção a juízes, com recursos específicos e coordenação entre os poderes. A proposta inclui a instalação de sistemas de segurança nas residências, escolta armada e treinamento para lidar com ameaças. Além disso, é fundamental que o Congresso aprove leis que criminalizem com mais rigor a intimidação de magistrados.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou que o governo federal está elaborando um plano de ação integrado com os estados. “Não podemos permitir que o crime organize dite as regras. A proteção aos juízes é prioridade”, afirmou Dino.

A urgência do tema é clara. Cada dia sem medidas efetivas coloca em risco não apenas a vida dos magistrados, mas a própria credibilidade do sistema judicial brasileiro.

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