O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (23) que a concessionária Trivia Trens poderá perder a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade caso não cumpra as obrigações contratuais. A declaração ocorreu horas após uma explosão seguida de incêndio em um trem da Linha 12-Safira, que paralisou as três linhas e gerou caos no transporte sobre trilhos da capital paulista.
Governador ameaça sanções e retomada pela CPTM
Durante o 14º Encontro de Produtores Rurais em Ourinhos (SP), Tarcísio afirmou que a empresa poderá sofrer sanções se não prestar o serviço conforme previsto. "Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai sofrer as sanções e a gente também não vai hesitar, em algum momento, em tirar a empresa do contrato", disse à TV TEM.
O governo determinou o retorno temporário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) à operação das linhas por 90 dias, enquanto apura as causas do incidente e acompanha a atuação da concessionária, que assumiu integralmente o serviço na última terça-feira (21). Segundo Tarcísio, essa possibilidade já estava prevista no contrato, incluída após a experiência da concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. "Ao longo do tempo, a gente foi aprendendo com os erros. Pegamos esse aprendizado e colocamos mecanismos de proteção neste contrato. Um deles é a possibilidade de retomar a operação com a CPTM no caso de insuficiência da concessionária."
Explosão e incêndio na Linha 12-Safira
Na manhã de quinta-feira, por volta das 5h25, passageiros gravaram o momento da explosão de um trem da Linha 12-Safira, entre as estações Brás e Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Um curto-circuito gerou um incêndio que carbonizou um vagão por dentro e por fora, mas ninguém se feriu. O incidente desligou subestações de energia, paralisando as três linhas operadas pela Trivia Trens.
De acordo com Paulo Ferreira, diretor de operação da Trivia, um curto-circuito em um dos trens desligou as subestações, causando a paralisação. As operações começaram a ser normalizadas por volta das 10h24. Este foi o terceiro dia seguido de problemas desde que a concessionária assumiu oficialmente a operação.
Caos e intervenção da Polícia Militar
O caos levou a Polícia Militar a intervir para ajudar passageiros a deixarem as linhas. Imagens mostram soldados ajudando passageiros a pularem um muro com a ajuda de um caminhão, na Avenida Celso Garcia, embaixo do Viaduto Alberto Badra. Policiais também auxiliaram idosos com mobilidade reduzida a andarem pelos trilhos e escalarem um barranco.
Para minimizar os impactos, a Trivia Trens acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), com 21 ônibus operando entre Bresser-Mooca e estação USP Leste. A concessionária orientou passageiros a acompanharem atualizações pelos canais oficiais, embora o site não apontasse falhas.
Críticas de Tarcísio e histórico de problemas
Tarcísio classificou como "inaceitável" os problemas desde o início da operação da Trivia. "A empresa precisa se preparar melhor. É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje", disse. No entanto, ele afirmou que as falhas na malha ferroviária são resultado de anos de falta de investimentos, e não apenas da nova concessionária. "Esse não é um problema que começou há três dias. É um problema de muito tempo."
Detalhes da concessão e investimentos
A Trivia Trens, parte do grupo Comporte Participações do empresário Nenê Constantino (família fundadora da Gol), assumiu em definitivo as linhas 11-Coral (54,3 km, 16 estações, 525 mil passageiros/dia), 12-Safira (38,8 km, 13 estações, 250 mil/dia) e 13-Jade (8,7 km, 3 estações, 76 mil/dia), além do Serviço Expresso Aeroporto. A concessão de 25 anos prevê investimento de R$ 14,3 bilhões, incluindo substituição de 35 km de trilhos, troca de 10 mil dormentes, construção de 8 novas estações e reconstrução de 4 existentes.
A empresa venceu o leilão em março de 2023 e passou por 60 dias de "operação assistida" sob supervisão da CPTM. A Trivia informou que realizou mais de 1.300 horas de treinamento para equipes e conta com colaboradores oriundos da CPTM. "Como ação imediata, vamos substituir 35 km de trilhos, trocar 10 mil dormentes e atuar em cerca de 300 pontos com restrição operacional", afirmou a concessionária em nota.



