O PT em Minas Gerais vive um momento de tensão interna após a direção nacional anunciar o plano de lançar candidatura própria ao governo do estado. A decisão irritou a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que é pré-candidata ao Senado e defende o apoio à candidatura de Gabriel Azevedo (MDB).
Divergência estratégica
Marília Campos refuta a ideia de disputar o governo, como pretende a cúpula petista. Para ela, a melhor estratégia é apoiar Azevedo, que tem maior potencial de unificar a oposição ao atual governo. A direção nacional, no entanto, tenta convencê-la a mudar de posição e encarar a disputa pelo Palácio da Liberdade.
Segundo fontes internas, a ala do PT que defende candidatura própria argumenta que Marília, ao disputar o governo, abriria espaço para o deputado federal Reginaldo Lopes concorrer ao Senado. Essa articulação, no entanto, esbarra na resistência da ex-prefeita, que não vê condições de vitória em uma eventual candidatura ao governo.
Riscos eleitorais
A decisão do PT pode fragilizar a aliança em torno do presidente Lula em Minas Gerais. Além disso, reacende o antipetismo devido ao governo de Fernando Pimentel (2015-2018), marcado por crise fiscal e investigações. Analistas apontam que uma candidatura própria do PT pode isolar o partido e dificultar a formação de coligações.
Marília Campos, em conversas reservadas, tem dito que prefere manter o apoio a Gabriel Azevedo, que considera um nome mais viável para derrotar o atual governador Romeu Zema (Novo). A ex-prefeita também avalia que uma candidatura própria do PT poderia beneficiar Zema, que busca a reeleição.
Próximos passos
O debate interno no PT mineiro deve se intensificar nas próximas semanas. A direção nacional convocará uma reunião com Marília Campos e outras lideranças para tentar alinhar a estratégia. Enquanto isso, a pré-candidata ao Senado mantém sua posição e aguarda os desdobramentos.
O cenário eleitoral em Minas Gerais segue indefinido, com o PT dividido e a oposição ainda sem um nome consolidado para enfrentar Zema. A decisão final sobre a candidatura própria deve sair até o final de julho, quando o partido realizará convenções estaduais.



