O preço do petróleo dificilmente voltará ao patamar entre US$ 90 e US$ 100 por barril antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, prevê o especialista Adriano Pires. Segundo ele, uma alta expressiva da commodity pressionaria a inflação, cenário que não interessa ao presidente Donald Trump em um ano eleitoral.
Estabilidade de preços e cenário geopolítico
A avaliação de Pires leva em conta o contexto geopolítico atual, com tensões no Oriente Médio, mas sem expectativa de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo. “Não se espera um fechamento do Estreito de Ormuz, o que poderia elevar os preços abruptamente”, afirmou o especialista.
Para Pires, o mercado de petróleo deve operar em uma faixa de relativa estabilidade, evitando picos que possam prejudicar a economia americana e a reeleição de Trump. A administração republicana tem demonstrado preocupação com os custos de energia, e uma alta do petróleo poderia minar a confiança do consumidor.
Impacto na segurança energética e alimentar
O especialista também destacou a forte ligação entre segurança energética e segurança alimentar. “A alta dos preços do gás e do diesel impacta diretamente a agricultura e o transporte, elevando os custos de produção e logística”, explicou Pires. Isso, por sua vez, pode pressionar os preços dos alimentos, afetando a inflação geral.
Segundo Pires, o mercado global de petróleo permanece atento às decisões da Opep+ e às sanções contra o Irã, mas a tendência é de que os preços se mantenham controlados até a definição das urnas americanas. “Os agentes econômicos estão cautelosos, mas não veem motivo para disparada nos preços”, concluiu.



