Jason Lemkin, fundador da comunidade de software SaaStr, acredita que a inteligência artificial não levará a semanas de trabalho mais curtas para startups que desejam vencer. Em entrevista ao podcast “20VC” no mês passado, ele defendeu que o futuro pertence a equipes pequenas, bem remuneradas e que trabalham no escritório seis dias por semana.
Declarações polêmicas sobre trabalho remoto
Lemkin afirmou que não tem interesse em investir em empresas que adotam modelos flexíveis. “Não tenho interesse em investir em outra coisa — simplesmente não tenho. E não é por falta de empatia, mas porque essas empresas vão fracassar”, disse. A declaração veio após um comentário viral de Ryan Petersen, CEO da Flexport, que classificou o trabalho remoto como “fraude de colarinho branco”, citando interrupções domésticas que reduzem a produtividade.
Pesquisa mostra preferência por home office
Segundo pesquisa da Gallup, apenas 4% dos millennials preferem trabalho 100% presencial. Entre os baby boomers, o índice é de 10%. O modelo híbrido continua sendo o favorito em todas as gerações. Lemkin, no entanto, argumenta que o debate não é sobre equilíbrio, mas sobre ambição. “Você não consegue vencer no seu mercado se as pessoas estão trabalhando 20 horas por semana. Não consegue”, afirmou.
Escolha entre relógios e riqueza
Para Lemkin, funcionários dispostos a trabalhar em startups de alto crescimento podem ganhar até US$ 100 milhões, enquanto os que buscam flexibilidade terão salários menores. “Você não vai ganhar US$ 10 milhões trabalhando 18 horas por semana. Você vai ganhar um relógio — um Omega. O que você quer: um Omega ou ficar rico? Façam sua escolha, rapazes”, disse.
IA eleva carga horária no Vale do Silício
Lemkin não está sozinho. Startups da baía de San Francisco adotaram a escala “996” (9h às 21h, seis dias por semana, totalizando 72 horas). Harry Stebbings, fundador do fundo 20VC, afirmou no LinkedIn que “sete dias por semana é a velocidade necessária para vencer agora”. Até gigantes como Google sentem a pressão: Sergey Brin pediu que funcionários do Gemini trabalhassem ao menos 60 horas semanais, chamando esse volume de “ponto ideal” de produtividade.



