Miriam Leitão estreia na Flip com relato de tortura na ditadura
Miriam Leitão na Flip: relato de tortura na ditadura

A jornalista Miriam Leitão estreou na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) neste sábado, 25 de julho, e emocionou o público ao relatar as torturas que sofreu durante a ditadura militar. Em uma mesa que discutiu jornalismo e memória, ela compartilhou detalhes de sua prisão e dos maus-tratos vividos em 1972, quando estava grávida.

Relato emocionante sobre a tortura

Miriam Leitão, conhecida por seu trabalho como comentarista econômica, surpreendeu a plateia ao abordar um tema tão pessoal e doloroso. Ela contou que foi presa aos 19 anos, grávida de três meses, e submetida a sessões de tortura que incluíam choques elétricos e afogamento. "Eles queriam que eu delatasse companheiros, mas eu não sabia de nada", disse a jornalista, visivelmente emocionada.

A participação de Miriam na Flip foi um dos momentos mais aguardados da programação. A mesa, mediada pelo jornalista Flávio Gomes, também contou com a presença da escritora e ativista Eliane Brum. O trio discutiu o papel da imprensa na defesa dos direitos humanos e a importância de manter viva a memória dos anos de chumbo.

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Memória e resistência

Miriam destacou que o jornalismo tem a responsabilidade de narrar os fatos históricos para que não se repitam. "Não podemos esquecer o que aconteceu. A ditadura foi um período sombrio, e muitos ainda sofrem as consequências", afirmou. Ela também criticou a falta de punição aos torturadores e a tentativa de revisionismo histórico que, segundo ela, ainda persiste em setores da sociedade.

A plateia, composta por cerca de 300 pessoas, acompanhou em silêncio o relato, interrompido apenas por aplausos em momentos de maior emoção. Ao final, Miriam recebeu uma ovação de pé. "É uma honra estar aqui e poder compartilhar minha história. A Flip é um espaço de liberdade e resistência", concluiu.

Impacto e repercussão

A estreia de Miriam Leitão na Flip gerou grande repercussão nas redes sociais. Muitos internautas elogiaram sua coragem e a importância de trazer à tona temas como a tortura e a violência política. A organização do evento também se manifestou, destacando que a programação deste ano busca justamente dar voz a narrativas silenciadas pela ditadura.

Miriam Leitão é autora de livros como "A História do Brasil pelos que Fizeram" e "O Novo Mapa do Brasil". Sua participação na Flip reforça a relevância do jornalismo na construção da memória coletiva e na luta contra o autoritarismo.

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