Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre tarifaço de Trump
Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre tarifaço (08.07.2026)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram uma troca de acusações sobre o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros, numa prévia do embate eleitoral que ambos devem travar na campanha presidencial.

Governo acusa Flávio de oportunismo eleitoral

Aliados de Lula e integrantes do governo classificaram como oportunista e eleitoreira a participação do senador em audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, sobre as tarifas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Flávio faz “diplomacia clandestina da pior qualidade”.

Flávio tenta conter danos à campanha

Flávio, por sua vez, buscou conter danos à sua campanha e tentou se desvencilhar da ideia de que atuou contra os interesses do Brasil. Em sua fala, ele disse que o “momento” eleitoral é o “pior possível” para a implementação das taxas de 25% contra os produtos brasileiros e que elas “foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro”. O senador também defendeu o Pix, mecanismo de pagamento que virou alvo do governo americano.

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Nota da Secom repudia participação

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota repudiando a participação de Flávio na audiência, afirmando que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”. Na nota, a Secom diz que há um “claro objetivo eleitoreiro” de Flávio, principal adversário do presidente nas eleições de outubro, ao tratar da aplicação das tarifas e afirma que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”. “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.

Pesquisa mostra impacto na imagem de Flávio

Pesquisa Quaest mostrou no início de junho que 47% dos eleitores concordavam com a frase de Lula dizendo que Trump impôs o tarifaço a pedido de Flávio, que esteve na Casa Branca com o presidente americano. Outros 35% afirmaram concordar com o senador, que afirmou ter ido aos EUA para pedir o oposto, que a sobretaxa não fosse aplicada. A vinculação de Flávio às sanções econômicas do Brasil, citada por quase metade do eleitorado, causou preocupação na campanha do PL e provocou uma ofensiva para que ele tentasse se desvencilhar da crise.

Flávio pede suspensão das taxas

Na audiência, o senador pediu a suspensão das taxas, criticou o atual chefe do Executivo e afirmou que o Pix não compete com os sistemas americanos. “Em apenas noventa dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente. Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, afirmou Flávio na audiência, segundo a nota enviada por sua assessoria.

Governistas usam mote 'Tariflávio'

Desde as primeiras sanções ao Brasil, aliados de Lula têm buscado atrelar essas medidas à atuação de Flávio e seus aliados, sobretudo o irmão Eduardo Bolsonaro, junto às autoridades americanas. Governistas reforçaram o discurso em defesa da soberania brasileira e, nas últimas semanas, exploraram o mote “Tariflávio”, para associar o senador à implementação das tarifas.

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