O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou sua renúncia nesta segunda-feira (22), após resistir por semanas à pressão de parlamentares de seu próprio partido. Starmer, que liderava o Partido Trabalhista desde 2020, deixa o cargo após apenas 23 meses de mandato, tornando-se o sexto premiê britânico a renunciar nos últimos dez anos. Um substituto, também do Partido Trabalhista, deverá ser escolhido até setembro.
Vitória esmagadora e rápida erosão da confiança
Nas eleições de 2024, Starmer conquistou uma vitória histórica, obtendo mais de 410 assentos no Parlamento e uma maioria folgada, algo raro na Europa parlamentarista. A vitória "limpa" foi vista como um sinal de estabilidade após anos de turbulência política. No entanto, a economia britânica permaneceu estagnada, e seu governo cortou subsídios para idosos e aumentou impostos, gerando insatisfação popular.
Escândalos também abalaram sua imagem. A imprensa revelou que Starmer e ministros aceitaram presentes de doadores do partido, como roupas de grife e ingressos para shows, incluindo um da cantora Taylor Swift. Embora legais, as doações contrastavam com a imagem austera que Starmer tentava projetar. Em fevereiro de 2026, seu chefe de gabinete renunciou por indicar Peter Mandelson para embaixador nos EUA, apesar dos vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein.
Derrota nas urnas e pressão interna
A insatisfação se refletiu nas eleições regionais de maio, quando o Partido Trabalhista sofreu uma derrota histórica, perdendo centenas de assentos em parlamentos locais. A popularidade de Starmer despencou: apenas 13% dos britânicos aprovavam seu governo, enquanto 79% rejeitavam sua liderança, o pior índice desde 1977. Cerca de 100 parlamentares trabalhistas exigiram publicamente sua saída.
Starmer resistiu por semanas, mas a pressão se intensificou após a vitória de Andy Burnham, seu principal rival interno, em uma eleição suplementar na quinta-feira (19). Burnham conquistou uma cadeira no Parlamento, abrindo caminho para um desafio à liderança. No sábado (20), o jornal The Observer já havia adiantado que Starmer renunciaria após concluir que sua posição era insustentável.
Discurso de despedida e transição
Em seu discurso de renúncia, Starmer afirmou ter conversado com o rei Charles e desejou uma transição de poder tranquila. "Permanecerei no cargo até o término da disputa e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada. Darei total apoio ao meu sucessor", declarou. Ele também pediu ao comitê executivo nacional do partido que estabeleça um cronograma para a escolha de um novo líder.
Starmer agradeceu colegas, amigos e servidores públicos, e disse que pretende dedicar mais tempo à família: "Quero ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa e o melhor pai para meus lindos filhos, que são meu orgulho. A questão que meu partido faz agora é se sou a melhor pessoa para nos conduzir à próxima eleição geral. Ouvi a resposta do meu partido parlamentar e a aceito com humildade."
Como será escolhido o sucessor?
Qualquer candidato precisa do apoio de 20% dos membros trabalhistas do parlamento, o que equivale a 81 parlamentares, incluindo o desafiante. Também é necessário atingir níveis de apoio de organizações de base e afiliadas, como sindicatos. Se apenas um candidato atingir o limite, é eleito sem votação. Caso haja mais de um, o vencedor será decidido por votação de todos os membros e afiliados do Partido Trabalhista.



