Kassab critica atuação de Bolsonaro no tarifaço e defende Caiado
Kassab critica Bolsonaro no tarifaço e defende Caiado

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao GLOBO que não vê o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixando a disputa ao Planalto, mesmo com os problemas enfrentados em seu campo político. Vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), Kassab também declarou que não exigirá apoio de candidatos a governador da sigla ao presidenciável, criticou a atuação da família Bolsonaro no tarifaço e defendeu o fim das emendas parlamentares.

PSD não punirá candidatos que não apoiarem Caiado

Kassab foi categórico ao afirmar que o PSD não punirá candidatos do partido que não apoiarem Ronaldo Caiado. "A coligação nas eleições majoritárias é uma excrescência do sistema partidário brasileiro. Nós não ficamos com essas teses que, muitas vezes, são para enganar a opinião pública", disse.

Apoio de governadores do PSD

Questionado se a falta de apoio dos governadores do PSD poderia prejudicar o desempenho eleitoral de Caiado, Kassab minimizou a importância. "Hoje o candidato a presidente não precisa mais da campanha do candidato a governador. Com as redes sociais, ele chega direto aos lugares", explicou. Ele ressaltou que, onde o PSD tem candidato a governador, o partido o apoia, mas a campanha presidencial é independente.

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Eduardo Paes e os palanques

Sobre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), Kassab confirmou que ele estará no palanque de Caiado, mas também nos de Lula e Flávio Bolsonaro. "A vice dele (Jane Reis) tem uma ligação forte com o bolsonarismo. E a Benedita da Silva (pré-candidata ao Senado) com o PT", justificou, destacando a importância dos projetos locais.

Kassab como vice de Caiado

Kassab explicou sua escolha como vice na chapa de Caiado: "Desde o começo foi chapa pura. Por quê? Porque o PSD foi o único partido que resistiu às abordagens do bolsonarismo e do petismo".

Estratégia para conquistar eleitorado de direita

Para conquistar o eleitorado de direita, Kassab aposta na moderação de Caiado. "O que diferencia o Caiado é que ele é de uma direita moderada. Ele sempre foi um cara do diálogo, da política. As pessoas vão perceber que para ganhar do Lula, é o Caiado", afirmou, acrescentando que o eleitor quer propostas e experiências, não críticas.

Disputa com Flávio Bolsonaro

Kassab não vê uma disputa direta com Flávio Bolsonaro, mas traça um cenário eleitoral: "O que vejo hoje é o Lula no segundo turno e, se for Flávio contra Lula, o Lula ganha. Se for o Caiado contra o Lula, o Caiado ganha. Porque o Lula vai ter condição de explorar a rejeição que o Flávio tem. E com o Caiado não tem essa rejeição. Flávio tem 51% de rejeição".

Ruídos internos na campanha de Flávio

Sobre a crise com Michelle Bolsonaro, Kassab comentou: "Como são pessoas que estão na campanha do Flávio, são atores importantes que estão com problema de relacionamento. A Michelle é esposa do pai do candidato. É possível falar que o candidato não está com problema? Lógico que está". No entanto, ele não vê Flávio desistindo: "Os números na pesquisa dele são bons, por que ele vai deixar?"

Caso Master e impacto eleitoral

Kassab avaliou que o eleitor está olhando para frente e que questões como o caso Master são resolvidas pelas instituições. "O candidato tem que se manifestar, e o Caiado tem feito isso. Pelo respeito às instituições, ele aguarda que punições sejam dadas", disse.

Atuação de Flávio e Eduardo no tarifaço

Kassab criticou duramente a atuação dos irmãos Bolsonaro no tarifaço. "Prejudicou a imagem da família Bolsonaro. Desde o primeiro momento, o Eduardo deu um passo errado, com o apoio da família, a favor do tarifaço. Ele influenciou para que houvesse tarifaço. E agora o Flávio está correndo atrás do prejuízo, está procurando se recuperar, mas não consegue", afirmou. Para Kassab, Flávio deveria manifestar repulsa às medidas.

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Relação com Tarcísio em São Paulo

Sobre a perda da vice na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Kassab negou estremecimento. "O grande aliado do Tarcísio é o PSD. Nós tínhamos a vice, mas como ele (Felício Ramuth) não foi correto com o partido, nós convidamos ele a se retirar. Não precisamos ter laranja podre no partido", explicou. Quanto ao engajamento de Tarcísio na campanha de Flávio, Kassab disse não poder falar pelo Republicanos.

Fim da escala 6×1

Kassab se declarou favorável ao fim da escala 6×1, mas alertou para a necessidade de discussão mais calma. "Sou a favor, mas acho que está sendo muito acelerada essa discussão para um tema de tanta relevância, principalmente em alguns setores que publicamente têm dito que (a PEC) vai provocar desemprego, inflação, prejudicar o trabalhador", afirmou.

Emendas parlamentares

Kassab é radicalmente contra as emendas parlamentares no modelo atual. "Sou radicalmente contra as emendas. Precisamos de um outro modelo. É um absurdo R$ 60 bilhões para o ano. Dá para construir duas linhas de metrô completas por ano numa cidade como São Paulo", criticou. Ele defende que Caiado se posicione contra o modelo e que o Congresso restrinja o poder dos parlamentares sobre as emendas.