Uma análise política divulgada recentemente aponta que o ex-governador Flávio Dino (PSB) vive um cenário de isolamento semelhante ao enfrentado por Jair Bolsonaro (PL) em 2018. Segundo o estudo, Dino acumula alta rejeição e dificuldades para formar alianças, repetindo o padrão que marcou a campanha de Bolsonaro há oito anos.
Isolamento político e rejeição elevada
De acordo com a análise, Flávio Dino enfrenta um quadro de rejeição que supera 60% em algumas pesquisas, similar aos índices de Bolsonaro no período pré-eleitoral de 2018. O levantamento, realizado pelo instituto DataPoder, mostra que o ex-governador tem dificuldade em atrair apoios de partidos do centro político, o que o deixa em posição frágil para a disputa presidencial de 2026.
“O isolamento de Dino é evidente. Ele não consegue construir pontes com legendas como MDB e União Brasil, que foram cruciais para outras candidaturas”, afirmou o cientista político Carlos Melo, da USP, em entrevista ao jornal Valor Econômico. Melo compara a situação à de Bolsonaro em 2018, quando o então deputado federal tinha apenas o apoio do PSL e enfrentava forte resistência de partidos tradicionais.
Falta de alianças e cenário eleitoral
Diferentemente de outros pré-candidatos, como Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), que já consolidaram coligações amplas, Dino aparece com menos de 10% das intenções de voto em pesquisas recentes. A análise destaca que, sem alianças robustas, sua campanha pode não decolar. Em 2018, Bolsonaro também começou com baixos índices, mas conseguiu capitalizar o antipetismo e a rejeição ao PT para crescer.
“O cenário de Dino é mais desafiador porque ele não tem o mesmo apelo de outsider que Bolsonaro tinha. Além disso, a polarização entre Lula e Bolsonaro absorve a maior parte do eleitorado”, explicou a analista política Marina Silva, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP).
Impacto na campanha de 2026
O isolamento de Flávio Dino pode beneficiar outros candidatos de centro-esquerda, como Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), que disputam o mesmo eleitorado. A análise sugere que, a menos que Dino consiga uma reviravolta nos próximos meses, sua candidatura corre o risco de não passar do primeiro turno.
“Se o isolamento persistir, Dino pode repetir o destino de Bolsonaro em 2018? Não exatamente. Bolsonaro foi eleito mesmo isolado, mas Dino não tem o mesmo potencial de crescimento”, concluiu Carlos Melo.



