O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) vive um dilema político na disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Augusto Nardes. De um lado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pressiona para que a vaga seja destinada ao PP. Do outro, o PL, liderado por Altineu Côrtes (RJ), também reivindica a indicação, com apoio do PT.
Disputa acirrada entre direita e Centrão
A aposentadoria de Nardes, prevista para ocorrer antes do fim do mandato, acirrou a briga entre a direita e o Centrão. A vaga no TCU é cobiçada por ser uma posição vitalícia e estratégica para o controle das contas públicas. Hugo Motta, como presidente da Câmara, terá papel central na definição do indicado.
Segundo fontes ouvidas pelo Jogo Político, Motta avalia qual gesto dar: se apoia o PP de Lira, seu aliado histórico, ou se atende ao PL de Altineu, que conta com o respaldo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PT. A decisão pode impactar a sucessão na Câmara e a eleição em Alagoas, onde Lira concorre ao Senado.
Eleição em Alagoas influencia cálculo
Arthur Lira vê na vaga do TCU um seguro político caso não se eleja senador. Ele busca manter o PP no comando da Câmara e garantir espaço no tribunal. Já Altineu Côrtes, líder do PL na Câmara, quer fortalecer a legenda com mais um nome no TCU. O PT, por sua vez, apoia a indicação do PL como parte de um acordo mais amplo.
Hugo Motta, que preside a Câmara até 2027, precisa equilibrar as pressões. "A decisão dele será crucial para o futuro do Centrão e da direita", afirmou um assessor parlamentar sob condição de anonimato.
Próximos passos
A vaga será oficialmente aberta após a aposentadoria de Nardes. Caberá à Câmara indicar o novo ministro, em votação secreta. O nome precisa de maioria absoluta dos deputados. Enquanto isso, Hugo Motta articula nos bastidores para evitar rachas na base aliada.



