G7 pede que big techs protejam crianças online; Lula participa
G7 pede que big techs protejam crianças online; Lula participa

As potências mundiais do G7, incluindo os Estados Unidos, apelaram nesta quarta-feira (17) às empresas de tecnologia para que desenvolvam ferramentas que garantam a segurança online das crianças, em meio a preocupações com as implicações da ascensão da inteligência artificial. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participa do G7 como convidado, e viajou com a primeira-dama Rosângela 'Janja' da Silva.

Apelo conjunto por segurança infantil

O apelo foi feito ao término de três dias de cúpula do G7 em Evian, no leste da França, que concluiu com um almoço de trabalho para o qual foram convidados executivos de empresas de IA da América do Norte, Europa, Índia e Japão. 'Apelamos aos provedores de serviços digitais para que desenvolvam e implementem tecnologias e sistemas que garantam experiências seguras, protegidas e adequadas à idade', afirma uma declaração conjunta do G7, e do Brasil, Coreia do Sul, Egito, Índia e Quênia.

Os Estados Unidos estão alinhados com seus parceiros do G7 - Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido - no princípio de proteger os menores nas redes sociais. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou na segunda-feira que menores de 16 anos serão proibidos de utilizar redes sociais no Reino Unido, e a França também cogita uma proibição semelhante.

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'Acho que é certo, porque as redes são perigosas quando se é muito jovem', afirmou uma estudante do ensino médio de Evian, durante um encontro paralelo organizado para as esposas e os maridos dos dirigentes do G7. A primeira-dama 'Janja' chegou a pedir um 'pacto mundial' sobre o tema.

Divergências sobre tributação e regulamentação

Mas os países desse grupo de grandes economias industrializadas divergem sobre a tributação e a regulamentação do setor digital. A sombra da Anthropic, cujo diretor Dario Amodei participou do almoço, também pairou sobre a cúpula. Essa empresa americana de inteligência artificial suspendeu o acesso à versão mais potente de sua tecnologia em cumprimento a uma ordem de Washington que invoca um risco à segurança nacional.

'Os Estados Unidos e a UE devem ser parceiros sólidos em matéria de IA', declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que pediu que cidadãos e empresas 'possam utilizar com total segurança os melhores modelos' de inteligência artificial. Na véspera, o presidente Lula apelou para que não se esqueça que 'as transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores'.

Em outras declarações, o G7 se comprometeu a reduzir 'significativamente' sua dependência da China como fornecedora de minerais críticos e a lançar até novembro 'uma rede portuária' para combater o narcotráfico e reforçar a cooperação entre seus principais portos marítimos.

Oportunidade histórica no Oriente Médio

Às margens do Lago Léman, os líderes do G7 também celebraram o acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio como uma 'oportunidade histórica' e concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia para que encerre o conflito na Ucrânia. O pacto, alcançado 'sob a firme liderança do presidente [Donald] Trump', 'oferece uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas', afirmaram.

'É um protocolo de acordo' e 'se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas bem na cabeça deles', advertiu, no entanto, o inquilino da Casa Branca, dois dias antes da cerimônia de assinatura prevista na Suíça. O acordo pode 'realmente mudar as coisas' no Oriente Médio, mas também em outros assuntos como a Ucrânia, avaliou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, apontando a mudança de tom de Washington. Trump, que sempre se recusou a apontar um culpado nesse conflito, adotou uma postura mais hostil em relação a Moscou, dizendo que a Rússia deveria 'chegar a um acordo' com Kiev e insinuando que poderia restabelecer sanções ao petróleo e ao gás russos.

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Diplomacia e jantar em Versalhes

A anfitriã França se esforçou para que o imprevisível presidente dos Estados Unidos permanecesse durante todo o evento, ao contrário da reunião anterior no Canadá, da qual partiu antes do final. Em um gesto incomum, o presidente francês, Emmanuel Macron, o convidou nesta quarta-feira para jantar no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, uma vez concluída a cúpula, embora tenha assegurado que não será uma 'gala'. Trump aceitou o convite de Macron. 'Versalhes não é folheado a ouro. É ouro de verdade', disse Trump com entusiasmo na terça-feira.

Foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, com residente dos EUA, Donald Trump; presidente da França, Emmanuel Macron; primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa; chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi; presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung; primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; presidente do Quênia, William Ruto; e primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, em 16 de junho de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters