Flávio Bolsonaro diz estar aberto a conversar com Michelle após crise familiar
Flávio Bolsonaro: 'Estou aberto a conversar com Michelle'

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (9) que está "sempre aberto" a conversar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e que espera o tempo que ela considerar necessário para voltar a participar da campanha eleitoral. A declaração foi dada no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, semanas após a crise pública entre os dois, que expôs divergências dentro da família Bolsonaro e do PL.

Crise com Michelle

O atrito entre Michelle e Flávio veio a público no fim de junho, quando a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes sociais afirmando ter sido "maltratada", "humilhada" e desrespeitada pelo senador durante uma discussão sobre articulações políticas do PL no Ceará. Michelle relatou que os dois não se falam desde o fim de 2025 e disse ter interpretado que seu apoio à pré-candidatura de Flávio não era desejado. "Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante", afirmou na ocasião.

Após a divulgação dos vídeos, Flávio pediu desculpas publicamente e afirmou que está de "coração aberto" para conversar com a ex-primeira-dama. O senador disse que não teve intenção de ofendê-la e reconheceu sua importância para o partido. Mesmo após o pedido de desculpas, Michelle voltou a fazer críticas indiretas ao senador nas semanas seguintes e acabou deixando a presidência do PL Mulher em meio à crise.

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Reconciliação defendida pelo presidente do PL

A fala de Flávio ocorre um dia depois de o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que Michelle e Flávio não se falam desde as trocas de acusações públicas e defender uma reconciliação entre os dois antes da convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho. Segundo Valdemar, "não podemos sair brigando dentro de casa" e o impasse precisa ser resolvido para que o partido defina seu rumo eleitoral.

"Eu estou sempre aberto aqui a conversar, né? Sempre esperando o tempo que ela [Michelle] achar que é o suficiente pra ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim", disse Flávio. "Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e no final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo."

Tarifaço dos EUA e defesa do Pix

Durante a fala desta quinta, Flávio também comentou a viagem que fez aos Estados Unidos para tentar barrar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, participou de uma audiência pública para defender que o governo americano não imponha novas taxas às empresas brasileiras. "Eu fui pedir o cancelamento desse processo de tarifação no Brasil pelas razões técnicas e também pelas razões políticas que eu expus lá pessoalmente na defesa oral", disse.

O senador afirmou ainda que esteve anteriormente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio para tratar do tema. "Eu pessoalmente pedindo para que não houvesse a tarifação sobre empresas brasileiras. Não há necessidade nenhuma de impor mais essa sobretarifa de 25%, vai ser ruim para as empresas brasileiras e também vai ser muito ruim para os consumidores americanos", afirmou.

Flávio também criticou o governo Lula e disse não ter visto representantes do Executivo brasileiro atuando contra a medida. "Não vi nenhum representante sequer do governo brasileiro para defender o Brasil e os interesses da nossa nação brasileira", declarou. O governo federal não mandou representantes para falar pelo Executivo nas audiências, mas enviou observadores.

Defesa do Pix

Questionado sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos que incluiu críticas ao Pix, Flávio afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos deve ser preservado. "O Pix é bom para o Brasil e, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos. Então essa parte do Pix, especificamente, eu acho que não tem nenhuma dúvida de que tem que permanecer como está porque é patrimônio do povo brasileiro e eu fui lá defender com unhas e dentes", disse.

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A discussão sobre o Pix ganhou repercussão após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL), que sugeriu que o tema poderia ser incluído em negociações entre Brasil e Estados Unidos. O filho do ex-presidente citou o Zelle, sistema privado de pagamentos dos EUA, que chamou de "Pix americano", ao defender uma mesa de negociação entre os dois países. A fala foi alvo de críticas de parlamentares governistas, que acusaram Eduardo de querer usar o sistema brasileiro como moeda de troca nas tratativas sobre tarifas comerciais.

O Pix foi citado em documentos do governo americano sobre disputas comerciais. Autoridades dos EUA afirmam que o modelo brasileiro favorece um sistema operado pelo Banco Central e poderia prejudicar concorrentes privados. O governo brasileiro e entidades do setor financeiro contestam essa avaliação.