Faltando exatos 100 dias para as eleições de 2026, uma análise do passado eleitoral brasileiro revela padrões que podem ajudar a entender o cenário atual. Desde a redemocratização, o período pré-eleitoral sempre foi marcado por reviravoltas e surpresas.
Padrões históricos nas eleições brasileiras
Nos últimos 30 anos, as campanhas eleitorais no Brasil mostraram que a reta final de 100 dias é decisiva. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso consolidou sua candidatura após o sucesso do Plano Real, enquanto em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva liderou as pesquisas desde o início. Já em 2018, Jair Bolsonaro emergiu como favorito após a facada em Juiz de Fora, mudando completamente o rumo da disputa.
O que dizem os especialistas
Segundo o cientista político Carlos Pereira, da FGV, "a 100 dias das urnas, o eleitor ainda está formando sua opinião, e eventos imprevistos podem alterar drasticamente o cenário". Ele lembra que, em 2014, Dilma Rousseff e Aécio Neves estavam tecnicamente empatados a 100 dias do primeiro turno, e a disputa só foi decidida no segundo turno com margem apertada.
Dados do Datafolha mostram que, historicamente, cerca de 30% dos eleitores decidem o voto na última semana de campanha. Isso significa que, mesmo com 100 dias pela frente, o jogo está longe de estar definido.
Lições do passado para 2026
O atual pleito apresenta particularidades, como o uso intenso de redes sociais e a polarização política. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro por uma margem de 1,8% no segundo turno, a mais apertada desde a redemocratização. A 100 dias da eleição, o cenário era de incerteza, com Bolsonaro crescendo nas pesquisas após eventos como o 7 de Setembro.
Para o analista político Antônio Lavareda, "o passado mostra que candidatos que conseguem definir a narrativa da campanha nos 100 dias finais têm vantagem". Ele cita o exemplo de 2006, quando Lula, mesmo sob crise do mensalão, conseguiu reverter a desvantagem e vencer no primeiro turno.
O que esperar para 2026
Com a aproximação do pleito, os candidatos intensificam as agendas e as alianças. A expectativa é que os próximos 100 dias sejam marcados por debates acalorados, inserções na TV e tentativas de conquistar o eleitor indeciso. A história mostra que, no Brasil, tudo pode mudar até a véspera da votação.



