Engenheiros, advogados e o desenvolvimento do Brasil
Engenheiros, advogados e o desenvolvimento

O Brasil forma muito mais advogados do que engenheiros, uma distorção que compromete o desenvolvimento econômico e a capacidade de inovação do país. Segundo dados recentes, para cada engenheiro formado, o país diploma cerca de três advogados, uma proporção inversa à observada em nações industrializadas, como Alemanha e Coreia do Sul.

O desequilíbrio na formação profissional

Armando Castelar Pinheiro, economista e colunista do Valor, destaca que a escolha profissional dos jovens reflete incentivos econômicos e culturais. Enquanto carreiras jurídicas oferecem status e estabilidade, a engenharia enfrenta desafios como salários menos atrativos e mercado de trabalho volátil. Dados do Ministério da Educação mostram que, em 2022, foram 45 mil formandos em engenharia contra 130 mil em direito.

Esse desequilíbrio tem consequências diretas na produtividade. Países com maior densidade de engenheiros tendem a registrar maior inovação tecnológica e crescimento do PIB. O Brasil, ao contrário, investe menos em áreas como infraestrutura e manufatura avançada.

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Impactos no desenvolvimento econômico

O colunista argumenta que a falta de engenheiros limita a capacidade do Brasil de competir globalmente. Setores como energia, transporte e tecnologia da informação sofrem com escassez de mão de obra qualificada. “Sem engenheiros, o país fica refém de importar soluções tecnológicas, o que encarece produtos e reduz a competitividade”, afirma Pinheiro.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que cada engenheiro adicional empregado na indústria eleva a produtividade em 0,5%. Se o Brasil triplicasse o número de engenheiros, o PIB poderia crescer até 2% ao ano.

O papel das políticas públicas

Para reverter o quadro, são necessárias políticas que incentivem a formação em ciências exatas. Programas de bolsas, parcerias com empresas e melhoria do ensino básico em matemática são caminhos apontados. “Precisamos valorizar o engenheiro tanto quanto valorizamos o advogado”, defende o economista.

Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil tem 1,2 engenheiro para cada mil habitantes, contra 4,5 na China e 3,8 na Alemanha. A situação se agrava com a evasão nos cursos de engenharia, que chega a 60% nos primeiros anos.

Consequências para a inovação

A baixa densidade de engenheiros também afeta o sistema de inovação. Patentearmentos e startups tecnológicas são mais raros em países com déficit de profissionais técnicos. “A engenharia é a base da inovação. Sem ela, ficamos presos a modelos econômicos primários”, conclui Pinheiro.

O artigo ressalta que a escolha por direito não é errada, mas o desequilíbrio precisa ser corrigido para o país avançar. “Não se trata de demonizar advogados, mas de equilibrar a balança”, finaliza.

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