A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, após derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final, gerou uma enxurrada de reações entre os leitores do Estadão. As cartas publicadas no Fórum dos Leitores refletem frustração, críticas à equipe e à gestão do futebol, além de comparações com campanhas passadas.
Naufrágio em campo
Francisco Eduardo Britto, de São Paulo, parabenizou o Estadão pela manchete "Brasil naufraga" e pela foto ampla que capturou os múltiplos aspectos da derrota. Diógenes Antunes, de São José dos Campos, resumiu o jogo: "faltou futebol e sobraram lágrimas". Paulo Roberto Gotaç, do Rio de Janeiro, comparou o ritmo da partida a uma "polka norueguesa" e apontou que o problema estava mais nas cabeças do que nos pés dos jogadores.
Críticas ao técnico e à CBF
Célio Borba, de Curitiba, criticou o técnico italiano por não escalar Vini Jr. para cobrar o primeiro pênalti, mas lembrou que a torcida agora se volta para a seleção feminina. Pedro Sergio Ronco Dourado pediu o fim da busca por culpados: "a Noruega foi melhor, simples assim". Ele destacou que o futebol mundial mudou e que seleções como Cabo Verde hoje têm organização e qualidade.
Izabel Avallone, de São Paulo, disse que o Brasil escancarou uma crise de talentos e prioridades, enquanto "cabelos estilizados, brincos e redes sociais" substituíram a disciplina em campo. Tomomasa Yano, de Campinas, sugeriu que a diretoria da CBF peça demissão e questionou a renovação antecipada do técnico.
Comparações históricas
Dirceu Cardoso Gonçalves, de São Paulo, lembrou as glórias passadas e pediu foco nos desafios reais do país, como política e economia. Guilherme M. Stipp, de Curitiba, apontou que a seleção é uma das mais envelhecidas da história e que o futebol atual exige preparo físico. Maurílio Polizello Junior, de Ribeirão Preto, ironizou a arrogância sem competência: "o Brasil não produz mais talentos". Vicente Limongi Netto, de Brasília, classificou a eliminação como "vexame histórico" e pediu renovação imediata.
O caso Neymar e Cabo Verde
Gilberto Pereira Tiriba Santos criticou a postura de Neymar, que celebrou um gol "protocolar" enquanto o time era eliminado, contrastando com o sorriso do goleiro norueguês. Elisabeth Migliavacca, de São Paulo, elogiou a campanha de Cabo Verde, eliminado invicto no tempo normal, e o goleiro Vozinha. Vital Romaneli Penha, de Jacareí, chamou a passagem de Cabo Verde de "heroica", enfrentando pesos-pesados como Espanha e Argentina.
Política e gestos obscenos
Luciana Lins, de Campinas, criticou o gesto obsceno do presidente Lula durante evento oficial, afirmando que "a liturgia do cargo foi substituída pela vulgaridade". Airton Reis Júnior, de São Paulo, apontou a distância entre a elite política e a população, defendendo o fim de privilégios. Robert Haller, de São Paulo, sugeriu que os salários dos políticos sejam deixados "para depois", assim como outras decisões.
Sistema financeiro
Mário Barilá Filho, de São Paulo, defendeu que os cartões de crédito se tornaram obsoletos diante de serviços como o Pix, e que a tentativa dos EUA de barrar o Pix está fadada ao fracasso.
As cartas, selecionadas para o Fórum dos Leitores, mostram um misto de tristeza, crítica e esperança em um novo ciclo para o futebol brasileiro.



