A decisão de desconvitar o governador Romeu Zema (Novo) de um evento em Santa Catarina gerou uma crise interna no partido Novo no estado e coloca pressão sobre a aliança com o PL. O episódio ocorreu após a direção nacional do Novo decidir não apoiar a pré-candidatura de Zema à reeleição, o que levou a um racha entre os filiados catarinenses.
Contexto do desconvite
O desconvite foi feito pelo diretório estadual do Novo em Santa Catarina, que inicialmente havia convidado Zema para um encontro com empresários e lideranças políticas. A mudança de planos ocorreu após a direção nacional do partido sinalizar que não apoiaria a candidatura de Zema, que busca a reeleição pelo Novo. A decisão gerou insatisfação entre aliados do governador, que veem o movimento como uma tentativa de enfraquecer sua pré-campanha.
Reações no partido
O racha no Novo em Santa Catarina ficou evidente com a manifestação de membros que apoiam Zema. O deputado estadual Ricardo Alba, filiado ao Novo, criticou abertamente a decisão da direção nacional. "O desconvite é um erro estratégico. Zema é o nome mais forte do partido e tem grande aprovação popular. Não podemos abrir mão de sua liderança", disse Alba.
Por outro lado, a direção nacional do Novo defende a posição de não apoiar a reeleição de Zema, argumentando que o partido precisa de renovação. O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que "o partido não pode se tornar refém de uma única liderança".
Pressão sobre a aliança com o PL
O episódio também afeta a aliança entre o Novo e o PL, que é liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação entre os dois partidos já era vista como frágil, e o desconvite a Zema pode dificultar futuras coligações. Analistas políticos avaliam que o racha no Novo pode beneficiar o PL, que busca ampliar sua base de apoio em Santa Catarina.
O governador Zema ainda não se pronunciou oficialmente sobre o desconvite, mas aliados próximos afirmam que ele está decepcionado com a direção do partido. "Zema sempre defendeu o Novo e agora se sente abandonado", disse um assessor.
Impacto nas eleições estaduais
O racha no Novo em Santa Catarina pode ter consequências nas eleições estaduais de 2026. Sem o apoio do partido, Zema pode buscar uma candidatura avulsa ou se aliar a outras legendas. O PL, por sua vez, já sinalizou interesse em lançar candidato próprio ao governo do estado.
Enquanto isso, a base de apoio de Zema tenta reverter a decisão do diretório nacional. Uma reunião está marcada para a próxima semana para discutir o futuro da pré-candidatura do governador.
O caso também reacende o debate sobre a democracia interna do Novo. Críticos apontam que o partido tem sido centralizador e pouco aberto a divergências. "O Novo prega transparência e renovação, mas na prática age como os partidos tradicionais", comentou o cientista político Carlos Melo.



