Em um mundo cada vez mais dominado pela inteligência artificial e pela automação, o verdadeiro desafio não é tecnológico, mas humano. Renato Bernhoeft, em artigo publicado no Valor Econômico, argumenta que a capacidade de manter a empatia, a ética e o contato genuíno entre as pessoas será o diferencial competitivo mais importante nos próximos anos.
A tecnologia avança, mas o humano permanece
Segundo Bernhoeft, a transformação digital trouxe ganhos de eficiência inegáveis, mas também gerou um distanciamento nas relações interpessoais. Ele cita estudo da consultoria McKinsey que aponta que 60% das atividades laborais podem ser automatizadas até 2030, mas ressalta que as habilidades humanas – como criatividade, julgamento ético e inteligência emocional – serão cada vez mais valorizadas.
O autor destaca que empresas que investem em cultura organizacional focada no bem-estar dos funcionários têm retorno sobre investimento 30% maior, segundo dados da Deloitte. "Não se trata de rejeitar a tecnologia, mas de usá-la para amplificar o que temos de melhor", afirma Bernhoeft.
O perigo da desumanização nas organizações
Bernhoeft alerta para o risco de as empresas se tornarem "máquinas de eficiência" que esquecem o elemento humano. Ele menciona o caso de uma startup que, ao automatizar todo o atendimento ao cliente, perdeu 40% de sua base de clientes em seis meses. "O toque humano ainda é insubstituível em situações de conflito ou necessidade de acolhimento", explica.
O artigo também aborda o impacto da tecnologia na saúde mental. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a depressão e a ansiedade custam à economia global US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Bernhoeft defende que líderes devem priorizar a saúde emocional de suas equipes.
Como cultivar a humanidade no trabalho
O autor sugere práticas concretas para manter a humanidade nas organizações: promover pausas para conversas informais, incentivar o feedback construtivo e criar espaços de escuta ativa. Ele cita o exemplo da empresa brasileira Natura, que tem um programa de "conexão humana" obrigatório para todos os gestores.
"A tecnologia pode conectar pessoas, mas só a humanidade as mantém unidas", conclui Bernhoeft. O artigo serve como um lembrete de que, na corrida pela inovação, não podemos esquecer o que nos torna essencialmente humanos.



