Blindagem de Valdemar Costa Neto começa a ruir com reabertura de inquérito do golpe
Blindagem de Valdemar Costa Neto começa a ruir

A blindagem política que protegia Valdemar Costa Neto, ex-presidente nacional do Partido Liberal (PL), começou a ruir com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reabrir o inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. A medida, tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, reacende as suspeitas sobre o envolvimento de Costa Neto nos eventos que antecederam os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Reabertura do inquérito e novas provas

O inquérito, que havia sido arquivado em 2024 por falta de provas, foi reaberto após a descoberta de novos elementos, incluindo mensagens de aplicativos e depoimentos de testemunhas que indicam a participação de Costa Neto em reuniões com militares e civis para discutir a viabilidade de um golpe. Segundo fontes do STF, as provas apontam que o ex-presidente do PL teria atuado como intermediário entre o entorno do então presidente Jair Bolsonaro e setores das Forças Armadas.

Impacto político e reações

A reabertura do inquérito já causou reações no meio político. O advogado de Costa Neto, Paulo Sérgio de Abreu, afirmou que "não há qualquer evidência concreta que vincule Valdemar a atos golpistas" e que a defesa irá recorrer da decisão. Por outro lado, parlamentares da oposição comemoraram a medida. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) declarou: "A blindagem de Valdemar sempre foi uma anomalia. Agora, a justiça está sendo feita."

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Especialistas avaliam que o caso pode ter implicações para o PL, que tenta se distanciar dos eventos de 2023. O cientista político Carlos Melo, do Insper, afirma que "a reabertura do inquérito fragiliza a narrativa de que o partido não teve envolvimento com a tentativa de golpe. Costa Neto era uma figura central na articulação política de Bolsonaro."

Números do caso

O inquérito do golpe já resultou em 18 denúncias formais contra envolvidos, mas até agora nenhuma condenação. Com a reabertura, a expectativa é de que novas acusações sejam apresentadas nos próximos meses. O STF estabeleceu um prazo de 60 dias para a conclusão das investigações complementares.

Valdemar Costa Neto, que presidiu o PL entre 2020 e 2024, sempre negou qualquer participação em atos antidemocráticos. Em nota divulgada em 2024, ele classificou as acusações como "perseguição política" e afirmou que o partido sempre defendeu a democracia.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar