Pesquisa investiga efeitos do tarifaço de Trump na corrida presidencial
A próxima rodada da pesquisa AtlasIntel, prevista para ser divulgada na terça-feira (28), deve oferecer um retrato de como a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos repercute na corrida presidencial de 2026. Pela primeira vez desde a imposição das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o instituto incluiu perguntas específicas sobre o tema e seus possíveis efeitos eleitorais.
O levantamento vai investigar como os eleitores avaliam a condução das negociações pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, a percepção sobre as motivações das tarifas e se os Estados Unidos estariam interferindo no processo eleitoral brasileiro. Também serão medidos a imagem de Trump, a percepção sobre os EUA e a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a crise comercial.
Michelle Bolsonaro testada como alternativa da direita
Além do novo bloco de perguntas, a pesquisa volta a testar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa da direita. Ela aparecerá tanto em um cenário hipotético de primeiro turno quanto em uma simulação de segundo turno contra Lula. Segundo registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a coleta começou na quarta-feira (22) e segue até segunda-feira (27).
Serão entrevistados 5 mil eleitores com 16 anos ou mais por meio de questionário via internet. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. O estudo foi contratado pela AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda., ao custo de R$ 80 mil, registrado sob o número BR-08602/2026.
Última rodada deu vantagem a Lula
Na pesquisa anterior, divulgada em 1º de julho, Lula liderava o principal cenário de primeiro turno com 46,3% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que registrava 36,6%. Na sequência apareciam Renan Santos (Missão), com 7,8%; Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%; Romeu Zema (Novo), com 2%; Joaquim Barbosa (DC), com 1%; Aécio Neves (PSDB), com 0,7%; Samara Martins (UP), com 0,6%; Augusto Cury (Avante), com 0,5%; Cabo Daciolo (Mobiliza), com 0,3%; Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,1%; e Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU), ambos com 0%. Brancos e nulos somavam 1,1%, enquanto 0,1% disseram não saber em quem votar.
Nos confrontos diretos, Lula também aparecia à frente de todos os adversários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente registrava 48,8% das intenções de voto, ante 42,3% do senador. Nos demais cenários, Lula tinha 48% diante de Ronaldo Caiado (39%), 48,2% contra Romeu Zema (38,5%), 49,2% frente a Renan Santos (28,9%) e 48,7% em uma eventual disputa com Michelle Bolsonaro, que marcava 38,9%.
Impacto das tarifas pode alterar percepção dos eleitores
A nova rodada será a primeira oportunidade para verificar se o tarifaço dos Estados Unidos alterou a percepção dos eleitores sobre os pré-candidatos ou influenciou a disputa de narrativas entre governo e oposição, tema que passou a ocupar o centro do debate político nas últimas semanas. De acordo com o instituto, os resultados podem indicar mudanças significativas na intenção de voto, especialmente após a imposição das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo Trump.
A pesquisa também avaliará a imagem do presidente americano e a percepção sobre os EUA, além de medir a atuação do senador Flávio Bolsonaro durante a crise comercial. Os dados serão divulgados na terça-feira, dia 28, e devem alimentar o debate sobre os rumos da eleição presidencial de 2026.



