O governo federal anunciou nesta quinta-feira um plano de ajuda às empresas afetadas pelo chamado tarifaço, que totaliza R$ 18,5 bilhões. O pacote inclui linhas de crédito especiais, subsídios e alongamento de dívidas tributárias, visando mitigar os impactos das tarifas impostas a produtos importados.
Detalhamento do pacote
Do total, R$ 10 bilhões serão destinados a linhas de crédito com juros subsidiados pelo BNDES e pelo Banco do Brasil. Outros R$ 5 bilhões virão de subsídios diretos para setores mais atingidos, como o de tecnologia e o automotivo. Os R$ 3,5 bilhões restantes correspondem ao alongamento de dívidas fiscais por até 36 meses.
De acordo com o ministro da Economia, Fernando Haddad, o pacote foi desenhado para atender empresas de todos os portes, com foco nas pequenas e médias. "Estamos garantindo que ninguém fique para trás. As empresas que mais sofreram com o aumento das tarifas terão acesso a recursos para se reerguer", afirmou Haddad em entrevista coletiva.
Critérios de elegibilidade
Para ter acesso aos recursos, as empresas precisam comprovar perda de faturamento superior a 30% nos últimos seis meses, em decorrência direta das tarifas. Além disso, devem estar em dia com obrigações trabalhistas e previdenciárias. O ministro destacou que a medida beneficiará cerca de 120 mil empresas em todo o país.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, explicou que as linhas de crédito terão carência de 12 meses e prazo de pagamento de até 60 meses. "As taxas de juros serão as mais baixas do mercado, com spread zero para pequenas empresas", detalhou Mercadante.
Impacto econômico esperado
O governo estima que o pacote possa preservar até 500 mil empregos diretos e indiretos. Setores como o comércio varejista, a indústria de transformação e o agronegócio são os mais beneficiados. A medida também pretende evitar uma onda de falências que poderia agravar a recessão econômica.
Economistas consultados pelo Valor veem com bons olhos o anúncio, mas alertam para a necessidade de contrapartidas. "O pacote é robusto, mas é preciso monitorar se os recursos chegarão de fato às empresas que mais precisam", avaliou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.
Reações do mercado
O mercado financeiro reagiu positivamente, com o Ibovespa subindo 1,2% no fechamento. O dólar comercial recuou 0,8%, cotado a R$ 5,20. Analistas apontam que a medida reduz o risco de calotes e fortalece a confiança dos investidores.
Entretanto, entidades empresariais cobram agilidade na liberação dos recursos. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que "o anúncio é bem-vindo, mas a burocracia não pode emperrar o processo".



