O Papa Leão XIV denunciou a 'indiferença' global em relação aos imigrantes durante um ato simbólico nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol onde cerca de 1.200 pessoas morreram ou desapareceram em travessias perigosas pelo Oceano Atlântico. O pontífice jogou flores ao mar no porto de Arguineguín, em Gran Canária, local frequentemente utilizado para o desembarque de migrantes que arriscam suas vidas em busca de uma vida melhor na Europa.
Crítica à indiferença global
Em seu discurso, o Papa Leão XIV alertou que o Mediterrâneo e o Atlântico não podem se transformar em 'cemitérios sem lápides'. Ele ressaltou a necessidade de acolhimento e proteção dos imigrantes, condenando a falta de ação da comunidade internacional diante das tragédias que ocorrem nessas rotas migratórias. O ato simbólico ocorreu durante sua visita à Espanha, onde também se encontrou com autoridades locais e representantes de organizações humanitárias.
Contexto das travessias
As Ilhas Canárias se tornaram um dos principais pontos de entrada para migrantes africanos que tentam chegar à Europa. As travessias são extremamente perigosas, com embarcações superlotadas e condições precárias, resultando em um alto número de mortes e desaparecimentos. Apenas em 2025, mais de 1.200 pessoas morreram ou sumiram nessas rotas, segundo dados de organizações de direitos humanos.
O Papa Leão XIV enfatizou que a indiferença da sociedade e dos governos é uma forma de cumplicidade com essas mortes. 'Não podemos fechar os olhos para o sofrimento daqueles que fogem da pobreza, da violência e da perseguição', declarou. Ele pediu que os países desenvolvam políticas migratórias mais humanas e solidárias, baseadas no respeito à dignidade humana.
A visita do pontífice às Canárias foi marcada por momentos de emoção, especialmente quando ele depositou a coroa de flores no mar, em memória das vítimas. O gesto foi acompanhado por dezenas de migrantes que conseguiram chegar à ilha e que compartilharam suas histórias com o Papa.



